Uma das cidades
marcadinhas na minha lista de “lugares pra conhecer quando eu estiver na
Irlanda” era Belfast. O lugar tem uma história recente marcada por conflitos
políticos e sociais. Eu queria sentir como era o clima em um lugar que passou
por situações de risco, ataques à bomba, ameaças do IRA... Sim, eu sei,
bizarro... coisas que pessoas normais não se interessam. Mas minha mãe sempre
me disse que eu era estranha...
Enfim, como eu já
escrevi no
blog, a Irlanda do Norte pertence ao Reino Unido. Ou
seja: eu visitei outro país e usei libras ao invés de euros
:) Não há ônibus direto de Galway para
Belfast. É preciso ir até outra cidade - Dublin geralmente é a primeira opção –
e de lá, partir para o norte. Ou então pegar o trem (que é bem mais caro e leva
quase o mesmo tempo). São mais ou menos 5 horas e meia de viagem. Como eu ia
passar só um dia, aproveitei pra viajar durante a madrugada. Valeu muito a pena ver o nascer o sol naquela paisagem do interiorzão.
Quando eu pensava
em Belfast, eu imaginava aquele clima meio pesadão, com muros altos e pintados,
arame farpado, rastro de protestos... coisas que a gente vê em filmes (vide Em Nome do Pai, Michael Collins, etc, etc). Ao chegar no centro da cidade, vi algo bem
diferente. Mistura do moderno com o antigo, lojas enormes em meio a prédios
históricos, calçadão e shoppings cheio de gente comprando, Tesco, Debenhans,
2Euro Shop... uma típica cidade grande europeia, com seus tradicionais pontos turísticos.
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Mesmo assim, dá pra encontrar coisas assim... |
O Belfast City
Hall fica no coração do centro da cidade. As janelas têm diversos mosaicos e o
interior é bem luxuoso. Não deu pra visitar nada além do hall porque justamente
naquele dia o lugar estava sendo usado para as inscrições de uma maratona. Perto
do centro, eles também tem a torre com o relógio, o Albert Memorial Clock Tower,
uma torre torta que é um dos símbolos da cidade. Não tem nada de especial, é só
uma mistura de Pisa com Big Ben ¬¬.
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Belfast City Hall |
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Albert Memorial Clock |
Há outros pontos
bacanas pra se visitar nos arredores, como o Grand Opera House, a Biblioteca e
as ruazinhas cheias de pubs e lojas exóticas. Queria ter visitado o Crown
Liquor Saloon, que é um dos pubs do patrimônio histórico, mas não deu tempo. É
bem na frente da estação rodoviária, bem fácil de achar.
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Waterworks e o tiozinho pescando e devolvendo o peixe |
Saindo do centro,
ao norte, tem o Waterworks, um parque que foi construído na década de 1840 e
abastecia a cidade com água (dã). Há alguns anos ele foi revitalizado e é bem
bacana pra dar uma caminhada. Os bairros ao redor são umas gracinhas, ainda
mais num ensolarado sábado de manhã. Se andarmos nos arredores, dá pra ver
que a cidade tem ainda aquele ar meio industrial, com conjuntos intermináveis
de casas de tijolo à vista, que se diferenciam apenas pelas cores das portas.
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Vizinhança simpática :) |
Quer ver tudo isso de uma só vez? Subir a colina de Cave Hill é
a melhor opção. Dá pra ver toda Belfast de lá. O lugar ainda é caminho pro
Belfast Castle, um castelo que tem um jardim dedicado aos gatinhos. Segundo
eles, um gatinho branco morava ali e o lugar foi feito em homenagem à ele. Mas
o castelo é tipo o Chateau La Cave, de Caxias. Bonito e tal, utilizado pra
festas de casamentos e bibibis, sem uma super importância histórica e só é
visitado por excursões de alemães da terceira idade.
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Vista de Cave Hill |
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Eu e a galera da terceira idade causando no Belfast Castle |
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Jardim dos Mimis |
A cidade tem muita, mas MUITA igreja. De tudo que é tipo, época ou estilo. Pra quem não sabe, Belfast foi palco
de conflitos entre cristãos e protestantes desde o século XII, mas a coisa ficou feia
mesmo a partir de 1916, quando o processo de independência da Irlanda começou. Pra
representar essa divisão em Belfast, foi construído um muro que separa o lado
cristão – que tem como rua principal a Falls Road – do lado protestante, com a
Shankill Road. Os portões eram vigiados pela polícia inglesa, que controlava quem
passava (ou não). Hoje, a maioria deles ficam abertos, mas não se vê muitas pessoas, além de turistas, táxis e os black taxis atravessando.
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Mural Walls |
Conversando com
um motorista, ele nos contou um
pouquinho sobre a situação atual, enquanto nos levava para essa parte da cidade,
no oeste. Segundo ele - com aquele sotaque irish bem carregado - os dois lados estão em relativa paz, mas apenas se
toleram. De vez em quando, rola uns atritos ou discussões, ou se jogam coisas de
um lado para o outro no muro, como forma de provocação. Mas agora o clima é meio “ok, temos que ser
civilizados por obrigação, mesmo eu te odiando”. As pinturas podem ser vistas
não apenas no muro, mas em casas e outras paredes. São murais repletos de críticas políticas,
econômicas, sociais e ambientais.
É aí que entra o
famoso IRA (Exército Republicano Irlandês). O grupo católico e
reintregalista buscava unificar a Irlanda por meio da luta armada e igualdade
religiosa. Durante anos, os ataques terroristas foram respondidos da mesma
forma pelo protestantes da Força Voluntária do Ulster. Atualmente, o IRA
abandonou a luta armada e atua na política através do partido Sinn Féin.
Como
era feriado de May Day – porque irish gosta mais de feriado do que brasileiro –
havia parada na rua, com bandinhas e protestos das mais diversas naturezas...
desde gente reclamando da recessão até o sindicato dos companheiros jornalistas
reclamando por qualquer coisa... eu acho.
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Botanic Avenue |
Ok, vamos pro
sul, pela graciosa Botanic Avenue, cheia de árvores, cafeterias e fast-foods coreanos e chineses. Foi lá também
que achei uma lojinha retrô muito bacana. Se eu tivesse mais estilo, dinheiro,
ou então se as boinas que eu gostei tivessem servido na minha cabeçona, eu teria
saído de lá com muitas sacolas. No fim da mesma rua, o Belfast Botanical Garden. Parece uma miniatura de Curitiba, lugar bem gracioso, cheio de plantas e super útil pra fotos de casamento. Pra voltar ao centro, a dica ir ao longo do Rio Lagan,
onde dá pra ver também os famosos Sansão e Golias, umas gruas gigantes que ficam no porto (grande coisa :P)
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Lojinha retrô |
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Não, não é Curitiba... |
Muitos devem ter
perguntado, ok e o Titanic? Sim, sim, a história do maior naufrágio da história
(ou ao menos o mais famoso) também tá presente por todos os lados. Além de
memoriais dedicados ao navio, recentemente foi aberto o Titanic Belfast, uma construção contemporânea, que traz uma exposição permanente e que parece ser bem bacana. Mas como os ingressos estão esgotados ára todos os fins
de semana de maio, não teve jeito de entrar. Só deu pra visitar o
prédio e a lojinha de souvenirs, que não tinha nada demais.
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Foto de turista no Titanic Belfast |
O bacana dessas
poucas viagens pela Irlanda (República e do Norte) é perceber o quanto se
investe em turismo. Pra achar os pontos é tudo muito fácil, até mesmo pra quem
não fala inglês. As pessoas são extremamente simpáticas, prestativas e muito
bem informadas sobre a localização e orientação. Aqui eles usam e abusam de
tudo que possa render história, (até mesmo quando não tem uma super importância). Fica a dica prum país que em breve vai receber uma olimpíada e que provavelmente não tenha se dado conta da importância das pequenas (grandes) coisas.
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Falando em olimpíadas...monumento que tem por lá. |
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Du, Hyunju e Kayla, super parcerias o/ |
Oi lindinha já estáva com saudade de viajar contigo! Lindos lugares... lojinhas...cafeterias...passeios...história...adooooroooo!!!!
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