Mostrando postagens com marcador viagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagens. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conhecendo a "Irlanda" (3) + Eurotrip (1) - Belfast



Uma das cidades marcadinhas na minha lista de “lugares pra conhecer quando eu estiver na Irlanda” era Belfast. O lugar tem uma história recente marcada por conflitos políticos e sociais. Eu queria sentir como era o clima em um lugar que passou por situações de risco, ataques à bomba, ameaças do IRA... Sim, eu sei, bizarro... coisas que pessoas normais não se interessam. Mas minha mãe sempre me disse que eu era estranha...

Enfim, como eu já escrevi no blog, a Irlanda do Norte pertence ao Reino Unido. Ou seja: eu visitei outro país e usei libras ao invés de euros :) Não há ônibus direto de Galway para Belfast. É preciso ir até outra cidade - Dublin geralmente é a primeira opção – e de lá, partir para o norte. Ou então pegar o trem (que é bem mais caro e leva quase o mesmo tempo). São mais ou menos 5 horas e meia de viagem. Como eu ia passar só um dia, aproveitei pra viajar durante a madrugada. Valeu muito a pena ver o nascer o sol naquela paisagem do interiorzão.
 
Quando eu pensava em Belfast, eu imaginava aquele clima meio pesadão, com muros altos e pintados, arame farpado, rastro de protestos... coisas que a gente vê em filmes (vide Em Nome do Pai, Michael Collins, etc, etc). Ao chegar no centro da cidade, vi algo bem diferente. Mistura do moderno com o antigo, lojas enormes em meio a prédios históricos, calçadão e shoppings cheio de gente comprando, Tesco, Debenhans, 2Euro Shop... uma típica cidade grande europeia, com seus tradicionais pontos turísticos.

Mesmo assim, dá pra encontrar coisas assim...
O Belfast City Hall fica no coração do centro da cidade. As janelas têm diversos mosaicos e o interior é bem luxuoso. Não deu pra visitar nada além do hall porque justamente naquele dia o lugar estava sendo usado para as inscrições de uma maratona. Perto do centro, eles também tem a torre com o relógio, o Albert Memorial Clock Tower, uma torre torta que é um dos símbolos da cidade. Não tem nada de especial, é só uma mistura de Pisa com Big Ben ¬¬.

Belfast City Hall
Albert Memorial Clock

Há outros pontos bacanas pra se visitar nos arredores, como o Grand Opera House, a Biblioteca e as ruazinhas cheias de pubs e lojas exóticas. Queria ter visitado o Crown Liquor Saloon, que é um dos pubs do patrimônio histórico, mas não deu tempo. É bem na frente da estação rodoviária, bem fácil de achar.

Waterworks e o tiozinho pescando e devolvendo o peixe

Saindo do centro, ao norte, tem o Waterworks, um parque que foi construído na década de 1840 e abastecia a cidade com água (dã). Há alguns anos ele foi revitalizado e é bem bacana pra dar uma caminhada. Os bairros ao redor são umas gracinhas, ainda mais num ensolarado sábado de manhã. Se andarmos nos arredores, dá pra ver que a cidade tem ainda aquele ar meio industrial, com conjuntos intermináveis de casas de tijolo à vista, que se diferenciam apenas pelas cores das portas.

Vizinhança simpática :)

Quer ver tudo isso de uma só vez? Subir a colina de Cave Hill é a melhor opção. Dá pra ver toda Belfast de lá. O lugar ainda é caminho pro Belfast Castle, um castelo que tem um jardim dedicado aos gatinhos. Segundo eles, um gatinho branco morava ali e o lugar foi feito em homenagem à ele. Mas o castelo é tipo o Chateau La Cave, de Caxias. Bonito e tal, utilizado pra festas de casamentos e bibibis, sem uma super importância histórica e só é visitado por excursões de alemães da terceira idade.

Vista de Cave Hill

Eu e a galera da terceira idade causando no Belfast Castle

Jardim dos Mimis
A cidade tem muita, mas MUITA igreja. De tudo que é tipo, época ou estilo. Pra quem não sabe, Belfast foi palco de conflitos entre cristãos e protestantes desde o século XII, mas a coisa ficou feia mesmo a partir de 1916, quando o processo de independência da Irlanda começou. Pra representar essa divisão em Belfast, foi construído um muro que separa o lado cristão – que tem como rua principal a Falls Road – do lado protestante, com a Shankill Road. Os portões eram vigiados pela polícia inglesa, que controlava quem passava (ou não). Hoje, a maioria deles ficam abertos, mas não se vê muitas pessoas, além de turistas, táxis e os black taxis  atravessando.

Mural Walls


Conversando com um motorista, ele nos contou um pouquinho sobre a situação atual, enquanto nos levava para essa parte da cidade, no oeste. Segundo ele - com aquele sotaque irish bem carregado - os dois lados estão em relativa paz, mas apenas se toleram. De vez em quando, rola uns atritos ou discussões, ou se jogam coisas de um lado para o outro no muro, como forma de provocação. Mas agora o clima é meio “ok, temos que ser civilizados por obrigação, mesmo eu te odiando”. As pinturas podem ser vistas não apenas no muro, mas em casas e outras paredes.  São murais repletos de críticas políticas, econômicas, sociais e ambientais. 

É aí que entra o famoso IRA (Exército Republicano Irlandês). O grupo católico e reintregalista buscava unificar a Irlanda por meio da luta armada e igualdade religiosa. Durante anos, os ataques terroristas foram respondidos da mesma forma pelo protestantes da Força Voluntária do Ulster. Atualmente, o IRA abandonou a luta armada e atua na política através do partido Sinn Féin.

Como era feriado de May Day – porque irish gosta mais de feriado do que brasileiro – havia parada na rua, com bandinhas e protestos das mais diversas naturezas... desde gente reclamando da recessão até o sindicato dos companheiros jornalistas reclamando por qualquer coisa... eu acho. 

Botanic Avenue

Ok, vamos pro sul, pela graciosa Botanic Avenue, cheia de árvores, cafeterias e fast-foods coreanos e chineses. Foi lá também que achei uma lojinha retrô muito bacana. Se eu tivesse mais estilo, dinheiro, ou então se as boinas que eu gostei tivessem servido na minha cabeçona, eu teria saído de lá com muitas sacolas. No fim da mesma rua, o Belfast Botanical Garden. Parece uma miniatura de Curitiba, lugar bem gracioso, cheio de plantas e super útil pra fotos de casamento. Pra voltar ao centro, a dica ir ao longo do Rio Lagan, onde dá pra ver também os famosos Sansão e Golias, umas gruas gigantes que ficam no porto (grande coisa :P)

Lojinha retrô
Não, não é Curitiba...

Muitos devem ter perguntado, ok e o Titanic? Sim, sim, a história do maior naufrágio da história (ou ao menos o mais famoso) também tá presente por todos os lados. Além de memoriais dedicados ao navio, recentemente foi aberto o Titanic Belfast, uma construção contemporânea, que traz uma exposição permanente e que parece ser bem bacana. Mas como os ingressos estão esgotados ára todos os fins de semana de maio, não teve jeito de entrar. Só deu pra visitar o prédio e a lojinha de souvenirs, que não tinha nada demais.

Foto de turista no Titanic Belfast

 O bacana dessas poucas viagens pela Irlanda (República e do Norte) é perceber o quanto se investe em turismo. Pra achar os pontos é tudo muito fácil, até mesmo pra quem não fala inglês. As pessoas são extremamente simpáticas, prestativas e muito bem informadas sobre a localização e orientação. Aqui eles usam e abusam de tudo que possa render história, (até mesmo quando não tem uma super importância). Fica a dica prum país que em breve vai receber uma olimpíada e que provavelmente não tenha se dado conta da importância das pequenas (grandes) coisas. 
Falando em olimpíadas...monumento que tem por lá.

Du, Hyunju e Kayla, super parcerias o/

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Conhecendo a Irlanda (2) - Aran Islands



Domingo era um daqueles dias que pedem pra ficar um pouco mais na cama, ainda mais depois de uma festa bacana da escola no sábado à noite. Mas eu sempre acho que tenho uma obrigação moral de aproveitar todos meus dias aqui como se fossem os últimos. E como eu ganhei minha passagem e o dia tava com um sol lindão (apesar do frio e do vento), levantei e me preparei pra jornada, mesmo sem a mínima vontade.

Era pra ser minha primeira viagem sozinha. Sim, eu vim pra Irlanda sozinha, ok, mas eu tinha que estar preparada pra passar o dia apenas com minha câmera e meus pensamentos, sem nenhum conhecido. O destino? Aran Islands. São três ilhas, distantes umas 9 milhas de Galway. Pra chegar até lá, é preciso pegar um ônibus até Rossaveal e de lá um ferry boat. Dá pouco menos de duas horas de viagem até chegar na maior das três ilhas, Inis Mór. Pra fazer o passeio é só chegar em qualquer agência de turismo de Galway. Em média, a ida e a volta custam € 25.

Quando se chega na ilha, do píer tu já tá na parte central, que é como qualquer cidadezinha: tem o centro de informações ao turista, restaurantes e B&B's, lojas típicas e claro, pubs. Aí tem três opções: ou tu pega uma van com um guia, que faz o tour pela ilha toda (que deve dar uns €10 por pessoa), ou aluga uma bike (paga €20, mas recebe €10 ao devolver a bici) ou então vai a pé mesmo. Resolvi explorar meu lado esportista e aluguei uma bici. Nisso, uma francesa pediu se podia ir comigo. 

O nome dela é Blandine, educadora que mora em Tour, na França e estava de mochilão pela Irlanda. Uma baita parceria. Exploramos a ilha de bike. Não deu pra conhecer tudo, mas tenho certeza que fizemos um bom pedaço! Fomos em muitas partes que a maioria dos turistas não vai (e isso inclui invadir uma propriedade pra poder lanchar com tranquilidade em meio à natureza hehehe).

Os cenários parecem pintura. Juro, não é photoshop!
Eu e a Blandine invandindo propriedade alheia.

A população total da ilha não deve passar de 800 pessoas e acho que durante os finais de semana os moradores fogem dos turistas, porque a maioria das casas parecia fechada.  O idioma, claro, é o Irish. Os pontos principais da ilha são as antigas igrejas celtas, a venda de sweaters de lã (que eu não achei grande coisa, mas são todos feitos de modo artesanal pelas velhas mulheres da ilha e blá blá blá... - bullshit) e os cliffs. A parte dos cliffs pra mim valeu pela viagem toda. É muito alto, muito lindo. Sem nenhuma plaquinha de cuidado ou cerquinha pra proteger, além do vento forte, certo que já deve ter neguinho se atirando lá de cima ou caindo sem querer.

The Black Fort
Outra coisa que chama atenção é que dependendo da parte da ilha, o mar muda completamente de cor. Se formos mais ao oeste/norte, a água é verde cristalina, calminha, dá pra ver tudinho. Mais ao leste/sul, o tom é de um azul royal, com ondas (não muito significativas, mas ok).

Depois do passeio, a Blandine acabou vindo pra minha casa pra usar a internet, já ficou pra janta (graças à minha “família” coreana) e no dia seguinte ainda saímos para um pub. O legal desses passeios é exatamente isso, tu pode saber como uma viagem começa (e às vezes começa um porre), mas nunca sabe como ela termina.

Achei um novo amor por aqui. Adeus, Gabri :P

sábado, 7 de abril de 2012

Conhecendo a Irlanda (1) - Connemara


Quando se está na Irlanda, é impossível não pensar em conhecer outros países, já que tudo é relativamente perto.  Londres, Paris, Amsterdã...  estão sempre entre as opções de cidades mais procuradas. Mas o fato de estar por essas bandas não impede de conhecer o interior do próprio país onde se está. E particularmente, muitas vezes parece até mais interessante.
Sendo assim, parti com destino à região de Connemara, que abrange boa parte do condado de Galway (onde eu estou) e um pedacinho do condado de Mayo. O lugar é conhecido pelo misto de vegetações e paisagens, entre elas o típico interior bucólico e a costa litorânea do oeste irlandês. 
Passamos pelo Aughnanure Castle, que ainda estava fechado pra visitação, mas ao menos rendeu algumas fotos externas. Depois paramos em uma ponte que ficou conhecida por causa do filme Old Quiet Man, com o John Wayne. Cenário bacana, mas na real, não tem nada de muito especial ... é só uma ponte ¬¬.  A parada pro almoço foi na simpática cidade de Clifden, uns 78km de Galway City.

Centro de Clifden
Depois de um típico salmão com batatas, bora perder uns quilinhos no Connemara National Park, que cobre 2.000 hectares de terra, pântano, montanhas e pedras. Ele foi aberto em 1980 e desde então preserva a fauna, flora e história presente no lugar.  Há três opções de caminhadas para os visitantes.  Fizemos o percurso de 3 km, que passa pela base do pico Diamond Hill, assim dava pra ir tranquilo e fazendo umas fotinhos :)

Connemara National Park

Próxima parada: Kylemore Abbey. Esse castelo foi presente de um médico inglês chamado Mitchell Henry para sua esposa Margaret. Sim, o cara não se contentou em dar um presentinho mais simples. Se não bastasse isso, o casal comprou uma área de pântanos próxima para plantar árvores e proteger do vento o jardim murado do castelo. No final das contas, a esposa e uma das filhas morreram e o magnata vendeu o castelo, que virou uma abadia e uma escola de moças. E até hoje é assim. Só é possível visitar uma parte do castelo, mas a entrada é paga. Óbvio que eu sou pobre e não entrei, mas conversando com pessoas que já foram, todas são unânimes em dizer que não vale a pena

Kylemore Abbey
Durante todo o trajeto, se vê placas avisando que estamos em Gaeltachts (que eu comentei no post anterior). Há muitas daquelas típicas casas com telhadinho de sapê, rodeadas por inúmeras ovelhas. As cidadezinhas "maiores" tem sempre o centrinho, com o mercadinho, a igreja, as lojinhas e váááários pubs. Como qualquer cidade do interior em qualquer lugar.

Por final, mas não menos importante, o mosteiro Ross Errilly. Construído em 1351, já foi uma das maiores fundações franciscanas na Irlanda e hoje é a melhor preservada delas.  Os monges teimosos que ali viviam foram expulsos pelo menos umas sete vezes pelos soldados de Cromwell, mas em 1753 abandonaram o local, que se transformou em ruínas e ainda abriga diversos túmulos.


entrada do Ross Errilly
Um pedacinho da fachada
Os passeios pra Connemara são super comuns por aqui. A escola onde eu estudo oferece todos os fins de semana um passeio de ônibus pra quem tiver interesse pelo valor de € 15. As agências de turismo também oferecem valores aproximados. E também há a possibilidade alugar carro – que foi nossa escolha, já que tínhamos uma turma bacana. O aluguel de um carro médio com a gasolina deu € 17 pra cada um. Isso sem dúvida dá mais liberdade, tempo e tranquilidade pra viajar. Quanto a dirigir do lado “errado” da pista não foi um problema pra gente. Eu não me arrisquei, porque né... já não sou boa motorista no lado certo, imagina ao contrário...

Ah... e Feliz Páscoa! :)