segunda-feira, 21 de maio de 2012

Host Family

Despedida do Min da casa da Mary: vinhos e chocolates :D

Algumas pessoas que pensam em fazer intercâmbio me perguntam: vale a pena ir para uma Host Family? Bom, isso depende e muito. Como tudo na vida, morar por um tempo na casa de um completo desconhecido tem pontos positivos e negativos. O principal para fazer essa relação dar certo é estar muito disposto ao novo. Afinal de contas, tu é o intruso. Então, mesmo que, sim, você esteja pagando por estar ali, tem que ter noção de que você está na casa de outra pessoa. Então o mínimo que se deve é respeito às regras ali estabelecidas.

Geralmente, a própria escola faz a seleção da família, conforme um formulário com perguntas bem básicas. Você pode cair numa família com 4 crianças e 2 cachorros, como pode viver com uma pessoa só. Os preços são bem salgados então é comum comprar o pacote por 2 ou 3 semanas, até que você possa encontrar um novo lugar pra ficar.

Aqui, muitos amigos não se adaptaram às suas famílias, por mil razões. A mais frequente é em relação ao cardápio e aos horários da janta. Aqui na Irlanda é comum que as famílias jantem às 6 da tarde. Sim, os latinos (em especial os espanhois) piram com isso, já que são acostumados a jantar por volta das 10. Outra reclamação frequente é que a janta – que deve ser fornecida pela família, como o café da manhã  -  ou são aquelas refeições prontas congeladas ou se come batata com batata. Às vezes acontece também de cair numa família com problemas. Alguns colegas ficaram em famílias que o casal estava se separando, o que deixava um climão pesado. Inclusive, um dos meus colegas se incomodou porque ficou com um casal jovem (prestes a se separar) e o “pai” - que tinha praticamente a idade dele - tinha ciúmes dele com a “mãe”, jovem, bonita e prestes a chutar a bunda do marido. Resumindo: é uma questão de saber lidar com o novo... mas também contar com um pouquinho de sorte.

Eu posso dizer que fui premiada. Além de ter outro estudante na mesma casa  - o que facilita muito na hora que a gente chega e tá super perdido – minha host mother é um amor. A Mary é uma senhora aposentada de 60 e poucos anos. Só nesse quesito já fechou todas: uma senhora, assim como eu. Ela mora sozinha.. quer dizer... tem mais 4 gatos no jardim. Conhece muito de história e já viajou o mundo inteiro. Quando eu tava lá, tinha uma sensação de “férias na casa de vó”. Nos sábados, passávamos a manhã toda papeando sobre tudo e à noite, sempre assistíamos às péssimas soap operas da RTE (essas novelas merecem um post uma hora dessas, de tão mal feitas). 

Já conversei com a Mary diversas vezes depois de ter saído da casa, nos encontramos para o clássico chá com leite e biscoitos e hoje visitei ela. Precisava pegar umas correspondências e de quebra, ela me emprestou muitos mapas e guias para o meu primeiro mochilão – que começa amanhã. Além disso, preocupada se eu tava me alimentando bem, preparou uma sacolinha com frutas e bolos pra eu levar na viagem  (pelo jeito ainda não pareço tão gordinha quanto eu achava que tava, yes!).

Optar por uma host family é difícil porque você acaba não tendo controle total dos seus horários, não se sente confortável - pois não é sua casa - e às vezes tem um péssimo cozinheiro (o que, felizmente não foi meu caso) e ainda acontece de a família não ser tão receptiva e não conversar tanto contigo. O que é meio imbecil, visto que esse é o objetivo de ficar nesses lugares: vivenciar um pouco da cultura e costumes locais e praticar o inglês.

Mas também é muito 10, porque se você pegar uma família bacana, pode praticar o inglês, ficar informado sobre as coisas da cidade e do país, comer comida típica e viver um pouquinho da rotina do lugar. Pra mim valeu muito, porque além de tudo isso, ganhei uma grande amiga, que serve de porto-seguro nessa terrinha desconhecida, mas que eu já adotei como lar.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conhecendo a "Irlanda" (3) + Eurotrip (1) - Belfast



Uma das cidades marcadinhas na minha lista de “lugares pra conhecer quando eu estiver na Irlanda” era Belfast. O lugar tem uma história recente marcada por conflitos políticos e sociais. Eu queria sentir como era o clima em um lugar que passou por situações de risco, ataques à bomba, ameaças do IRA... Sim, eu sei, bizarro... coisas que pessoas normais não se interessam. Mas minha mãe sempre me disse que eu era estranha...

Enfim, como eu já escrevi no blog, a Irlanda do Norte pertence ao Reino Unido. Ou seja: eu visitei outro país e usei libras ao invés de euros :) Não há ônibus direto de Galway para Belfast. É preciso ir até outra cidade - Dublin geralmente é a primeira opção – e de lá, partir para o norte. Ou então pegar o trem (que é bem mais caro e leva quase o mesmo tempo). São mais ou menos 5 horas e meia de viagem. Como eu ia passar só um dia, aproveitei pra viajar durante a madrugada. Valeu muito a pena ver o nascer o sol naquela paisagem do interiorzão.
 
Quando eu pensava em Belfast, eu imaginava aquele clima meio pesadão, com muros altos e pintados, arame farpado, rastro de protestos... coisas que a gente vê em filmes (vide Em Nome do Pai, Michael Collins, etc, etc). Ao chegar no centro da cidade, vi algo bem diferente. Mistura do moderno com o antigo, lojas enormes em meio a prédios históricos, calçadão e shoppings cheio de gente comprando, Tesco, Debenhans, 2Euro Shop... uma típica cidade grande europeia, com seus tradicionais pontos turísticos.

Mesmo assim, dá pra encontrar coisas assim...
O Belfast City Hall fica no coração do centro da cidade. As janelas têm diversos mosaicos e o interior é bem luxuoso. Não deu pra visitar nada além do hall porque justamente naquele dia o lugar estava sendo usado para as inscrições de uma maratona. Perto do centro, eles também tem a torre com o relógio, o Albert Memorial Clock Tower, uma torre torta que é um dos símbolos da cidade. Não tem nada de especial, é só uma mistura de Pisa com Big Ben ¬¬.

Belfast City Hall
Albert Memorial Clock

Há outros pontos bacanas pra se visitar nos arredores, como o Grand Opera House, a Biblioteca e as ruazinhas cheias de pubs e lojas exóticas. Queria ter visitado o Crown Liquor Saloon, que é um dos pubs do patrimônio histórico, mas não deu tempo. É bem na frente da estação rodoviária, bem fácil de achar.

Waterworks e o tiozinho pescando e devolvendo o peixe

Saindo do centro, ao norte, tem o Waterworks, um parque que foi construído na década de 1840 e abastecia a cidade com água (dã). Há alguns anos ele foi revitalizado e é bem bacana pra dar uma caminhada. Os bairros ao redor são umas gracinhas, ainda mais num ensolarado sábado de manhã. Se andarmos nos arredores, dá pra ver que a cidade tem ainda aquele ar meio industrial, com conjuntos intermináveis de casas de tijolo à vista, que se diferenciam apenas pelas cores das portas.

Vizinhança simpática :)

Quer ver tudo isso de uma só vez? Subir a colina de Cave Hill é a melhor opção. Dá pra ver toda Belfast de lá. O lugar ainda é caminho pro Belfast Castle, um castelo que tem um jardim dedicado aos gatinhos. Segundo eles, um gatinho branco morava ali e o lugar foi feito em homenagem à ele. Mas o castelo é tipo o Chateau La Cave, de Caxias. Bonito e tal, utilizado pra festas de casamentos e bibibis, sem uma super importância histórica e só é visitado por excursões de alemães da terceira idade.

Vista de Cave Hill

Eu e a galera da terceira idade causando no Belfast Castle

Jardim dos Mimis
A cidade tem muita, mas MUITA igreja. De tudo que é tipo, época ou estilo. Pra quem não sabe, Belfast foi palco de conflitos entre cristãos e protestantes desde o século XII, mas a coisa ficou feia mesmo a partir de 1916, quando o processo de independência da Irlanda começou. Pra representar essa divisão em Belfast, foi construído um muro que separa o lado cristão – que tem como rua principal a Falls Road – do lado protestante, com a Shankill Road. Os portões eram vigiados pela polícia inglesa, que controlava quem passava (ou não). Hoje, a maioria deles ficam abertos, mas não se vê muitas pessoas, além de turistas, táxis e os black taxis  atravessando.

Mural Walls


Conversando com um motorista, ele nos contou um pouquinho sobre a situação atual, enquanto nos levava para essa parte da cidade, no oeste. Segundo ele - com aquele sotaque irish bem carregado - os dois lados estão em relativa paz, mas apenas se toleram. De vez em quando, rola uns atritos ou discussões, ou se jogam coisas de um lado para o outro no muro, como forma de provocação. Mas agora o clima é meio “ok, temos que ser civilizados por obrigação, mesmo eu te odiando”. As pinturas podem ser vistas não apenas no muro, mas em casas e outras paredes.  São murais repletos de críticas políticas, econômicas, sociais e ambientais. 

É aí que entra o famoso IRA (Exército Republicano Irlandês). O grupo católico e reintregalista buscava unificar a Irlanda por meio da luta armada e igualdade religiosa. Durante anos, os ataques terroristas foram respondidos da mesma forma pelo protestantes da Força Voluntária do Ulster. Atualmente, o IRA abandonou a luta armada e atua na política através do partido Sinn Féin.

Como era feriado de May Day – porque irish gosta mais de feriado do que brasileiro – havia parada na rua, com bandinhas e protestos das mais diversas naturezas... desde gente reclamando da recessão até o sindicato dos companheiros jornalistas reclamando por qualquer coisa... eu acho. 

Botanic Avenue

Ok, vamos pro sul, pela graciosa Botanic Avenue, cheia de árvores, cafeterias e fast-foods coreanos e chineses. Foi lá também que achei uma lojinha retrô muito bacana. Se eu tivesse mais estilo, dinheiro, ou então se as boinas que eu gostei tivessem servido na minha cabeçona, eu teria saído de lá com muitas sacolas. No fim da mesma rua, o Belfast Botanical Garden. Parece uma miniatura de Curitiba, lugar bem gracioso, cheio de plantas e super útil pra fotos de casamento. Pra voltar ao centro, a dica ir ao longo do Rio Lagan, onde dá pra ver também os famosos Sansão e Golias, umas gruas gigantes que ficam no porto (grande coisa :P)

Lojinha retrô
Não, não é Curitiba...

Muitos devem ter perguntado, ok e o Titanic? Sim, sim, a história do maior naufrágio da história (ou ao menos o mais famoso) também tá presente por todos os lados. Além de memoriais dedicados ao navio, recentemente foi aberto o Titanic Belfast, uma construção contemporânea, que traz uma exposição permanente e que parece ser bem bacana. Mas como os ingressos estão esgotados ára todos os fins de semana de maio, não teve jeito de entrar. Só deu pra visitar o prédio e a lojinha de souvenirs, que não tinha nada demais.

Foto de turista no Titanic Belfast

 O bacana dessas poucas viagens pela Irlanda (República e do Norte) é perceber o quanto se investe em turismo. Pra achar os pontos é tudo muito fácil, até mesmo pra quem não fala inglês. As pessoas são extremamente simpáticas, prestativas e muito bem informadas sobre a localização e orientação. Aqui eles usam e abusam de tudo que possa render história, (até mesmo quando não tem uma super importância). Fica a dica prum país que em breve vai receber uma olimpíada e que provavelmente não tenha se dado conta da importância das pequenas (grandes) coisas. 
Falando em olimpíadas...monumento que tem por lá.

Du, Hyunju e Kayla, super parcerias o/

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Conhecendo a Irlanda (2) - Aran Islands



Domingo era um daqueles dias que pedem pra ficar um pouco mais na cama, ainda mais depois de uma festa bacana da escola no sábado à noite. Mas eu sempre acho que tenho uma obrigação moral de aproveitar todos meus dias aqui como se fossem os últimos. E como eu ganhei minha passagem e o dia tava com um sol lindão (apesar do frio e do vento), levantei e me preparei pra jornada, mesmo sem a mínima vontade.

Era pra ser minha primeira viagem sozinha. Sim, eu vim pra Irlanda sozinha, ok, mas eu tinha que estar preparada pra passar o dia apenas com minha câmera e meus pensamentos, sem nenhum conhecido. O destino? Aran Islands. São três ilhas, distantes umas 9 milhas de Galway. Pra chegar até lá, é preciso pegar um ônibus até Rossaveal e de lá um ferry boat. Dá pouco menos de duas horas de viagem até chegar na maior das três ilhas, Inis Mór. Pra fazer o passeio é só chegar em qualquer agência de turismo de Galway. Em média, a ida e a volta custam € 25.

Quando se chega na ilha, do píer tu já tá na parte central, que é como qualquer cidadezinha: tem o centro de informações ao turista, restaurantes e B&B's, lojas típicas e claro, pubs. Aí tem três opções: ou tu pega uma van com um guia, que faz o tour pela ilha toda (que deve dar uns €10 por pessoa), ou aluga uma bike (paga €20, mas recebe €10 ao devolver a bici) ou então vai a pé mesmo. Resolvi explorar meu lado esportista e aluguei uma bici. Nisso, uma francesa pediu se podia ir comigo. 

O nome dela é Blandine, educadora que mora em Tour, na França e estava de mochilão pela Irlanda. Uma baita parceria. Exploramos a ilha de bike. Não deu pra conhecer tudo, mas tenho certeza que fizemos um bom pedaço! Fomos em muitas partes que a maioria dos turistas não vai (e isso inclui invadir uma propriedade pra poder lanchar com tranquilidade em meio à natureza hehehe).

Os cenários parecem pintura. Juro, não é photoshop!
Eu e a Blandine invandindo propriedade alheia.

A população total da ilha não deve passar de 800 pessoas e acho que durante os finais de semana os moradores fogem dos turistas, porque a maioria das casas parecia fechada.  O idioma, claro, é o Irish. Os pontos principais da ilha são as antigas igrejas celtas, a venda de sweaters de lã (que eu não achei grande coisa, mas são todos feitos de modo artesanal pelas velhas mulheres da ilha e blá blá blá... - bullshit) e os cliffs. A parte dos cliffs pra mim valeu pela viagem toda. É muito alto, muito lindo. Sem nenhuma plaquinha de cuidado ou cerquinha pra proteger, além do vento forte, certo que já deve ter neguinho se atirando lá de cima ou caindo sem querer.

The Black Fort
Outra coisa que chama atenção é que dependendo da parte da ilha, o mar muda completamente de cor. Se formos mais ao oeste/norte, a água é verde cristalina, calminha, dá pra ver tudinho. Mais ao leste/sul, o tom é de um azul royal, com ondas (não muito significativas, mas ok).

Depois do passeio, a Blandine acabou vindo pra minha casa pra usar a internet, já ficou pra janta (graças à minha “família” coreana) e no dia seguinte ainda saímos para um pub. O legal desses passeios é exatamente isso, tu pode saber como uma viagem começa (e às vezes começa um porre), mas nunca sabe como ela termina.

Achei um novo amor por aqui. Adeus, Gabri :P

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Go, Connacht!!



Eu achei que tendo acesso à internet, seria muito fácil pra atualizar o blog. Pelo contrário, ficou ainda mais difícil! Acabo me distraindo ou fazendo outras coisas, já que agora não moro tão longe. Estou dividindo um apartamento com dois coreanos e uma mexicana, num lugar super bem localizado, por um precinho bem camarada. “Lucky girl” foi o que eu mais ouvi. É... vou espalhar sal grosso na frente do quarto por via das dúvidas.

Enfim... uma das coisas mais bacanas de se fazer intercâmbio é poder viver um pouco do dia-a-dia do povo que mora aqui e não só fazer aquele passeio de turista. E pra fazer isso aqui na Irlanda, uma regra é assistir pelo menos um jogo de Rugby, um dos esportes mais populares no país. O time aqui de Galway é o Connacht. Bandeiras e cartazes em tons verde e preto estão espalhados por toda a cidade: nas casas, nos pubs, nas lojas... e o time nem tá bem no campeonato, viu? (bem diferente de um outro time, de um outro esporte, em outra cidade...).

Fiquei sabendo que haveria uma partida do campeonato nacional contra o Ulster, time que tava bem colocado na tabela. Eu tava determinada a comprar os ingressos, apesar dos preços bem acima do meu patamar de estudante (€ 30 inteira e € 15 para estudante). Coincidentemente, a escola onde eu estudo fez uma parceria com o time e foram vendidos ingressos a € 5. Juntamos uma boa turma e fomos rumo à partida. O estádio foi reformado ano passado, tem capacidade pra mais de 9 mil pessoas e é multifuncional: serve pra rugby, futebol e até pra corrida de cachorro, que é chamada de greyhound race, onde a galera aposta no totó que correr mais rápido. Eu ainda não fui ver... mas..

Torcida do Ulster com o quê na mão? Cerveeeeja, é claro.
O time visitante, mesmo em menor número, tinha uma galera mais animada do que a do Connacht (volto a me lembrar de um outro time, de outro esporte, em outra cidade no interior do RS, com torcedores parecidos...). Aqui não tem essa de cada um num canto não... tudo ‘xunto e misturado’. E muito respeitoso, sem folia. Um dos meninos espanhóis bem que tentou vaiar, mas uma senhora da própria torcida do Connacht, com uma bola de rugby na mão, mandou ele parar. A foto deixa claro porque ele ficou quietinho.

E aí, vai encarar?
Antes da partida, um momento muito singelo. No telão, um rapaz pede que todos aplaudam a moça que vai entrar vendada no campo pois ela vai cantar, de surpresa, o hino de alguma coisa que eu não entendi o que era. Emocionada, ela cantou MUITO mal o que quer que fosse aquilo, sob os aplausos da galera. (Isso me recorda, novamente, aquele momento brega que aquele mesmo time mencionado, resolve fazer durante os intervalos, cantando musiquinhas e convocando – sem sucesso – a torcida pra acompanhar).

Eu bem que gostaria de explicar o rugby pra vocês, mas claro, o jogo foi incompreensível pra mim. Conheci um casal de senhores muito simpáticos. Ele foi jogador quando jovem e tentou me explicar as regras, sem muito sucesso. Ela também não entendia nada do jogo, assim como eu. Mas em compensação, de cerveja... E pra assistir é tão tranquilo que chega ser uma várzea. O povo faz piquenique do lado das placas de propaganda, sem cogitar a possibilidade de que um brutamonte pode te derrubar a qualquer momento. Resumindo, rugby é um futebol americano misturado com aquela brincadeira típica do colégio, o “montinho”, só que de forma profissional e com homens musculosos e sem pescoço. Ok, é uma descrição bem esculachada, peço desculpas antecipadamente aos admiradores do esporte. Pra quem conhece as regras deve ser muito mais divertido.

No fim das contas, inesperadamente o Connacht venceu o Ulster, quando ninguém acreditava na vitória, mesmo que ela não valesse muita coisa pro time de Galway. O que, novamente, me fez sentir em casa e saber que eu estava torcendo pro time certo. Depois disso tudo, ainda dava pra trocar o ingresso por uma Heineken no pub.

Dessa experiência eu tiro algumas conclusões: eu só torço pra times muito perdedores (apesar do Connacht ter vencido essa); torcer xingando é muito mais divertido do que só gritar "Go Connacht!"; e que tudo na Irlanda é desculpa pra beber uma pint no fim das contas.


Montinhoooooooo


sexta-feira, 13 de abril de 2012

A burocracia é a mesma, só muda o endereço.

Tcharaaaam, meu visto! :D
Um dos motivos pelo qual a Irlanda é o destino escolhido pelos brasileiros é a facilidade de se obter o visto. Muitos blogs dão o passo-a-passo detalhado de como resolver essa pendenga. Mesmo assim, algumas coisas acabam saindo diferente do esperado. Como ouvi comentários de que em Galway alguns detalhes são diferentes de Dublin, vou explicar como funcionou pra mim. É um post chatopra caramba, mas pra quem pensa em vir pra cá, pode ser útil.

Bom, assim que se chega na Irlanda, se estiver tudo certinho com os papeis (matrícula na escola, passagem de volta e endereço de onde você pretende ficar), o pessoal da imigração carimba um visto provisório no passaporte. Geralmente é de um mês, mas varia de pessoa pra pessoa e do humor do cara da imigração. Felizmente, o cara acordou de bem com a vida naquele dia. Se você vai pra Galway, pode fazer lá mesmo o visto. Não é necessário ir até Dublin.

No primeiro dia de aula você já pode solicitar para a escola uma carta que comprove sua matrícula e sua residência. No meu caso, o endereço foi da minha Host Family. Em média, se leva de um a dois dias para a cartinha ficar pronta. 

Depois, munido com a carta e com o passaporte, é preciso ir até um banco irlandês abrir uma conta. Geralmente e escola já tem convênio com algum dos bancos e vai te indicar o mais adequado.  No meu caso (Bank of Ireland), foi preciso marcar um horário com a gerente. Não é só chegar chegando. Alguns até conseguem, mas né...  Porque abrir a conta?  Pra depositar aquela quantia báááásica de 3000 euros que eles obrigam você a comprovar que tem para se manter no país. "Se manter" né, porque com a Penney's e o Tesco fazendo uma promoção de diferente todos os dias, é complicado...
Bom, aberta a conta, você pode depositar o valor na boca do caixa ou aguardar a chegada do cartão. O interessante é já depositar o valor o quanto antes e solicitar com o próprio caixa do banco que ele envie pra sua casa o extrato (statement), comprovando que você tem esse dinheiro na conta.  O processo é lento, leva em torno de uma semana pra se receber o cartão, o extrato e todas as papeladas possíveis e imagináveis.  Pra se ter uma ideia de como as coisas são aqui: a moça do caixa anotou num bloquinho pra lembrar de reenviar o meu extrato. Junto disso, eles mandam um livreto super ultra mega explicativo sobre como funciona o banco online ¬¬. Aqui eles ainda são muito atrasados, todo o processo é manual e leva tempo. Ponto pro Brasil, que já é bem mais evoluído tecnologicamente nessa área. Tecnologicamente né, porque na burocraria, é a mesma coisa. 

Voltando ao processo... dinheiro na conta, extrato na mão,  é preciso pegar maaaais uma carta assinada pela escola, mostrando teu nome, data de nascimento e as informações do curso contratado.
Hora de ir pra imigração pra solicitar o visto na GNIB (Garda National Immigration Bureau). O endereço em Galway é: Unit 2, Liosban Industrial Estate, Tuam Road e fica aberto de segunda a quinta das 7:30 às 14h e na sexta das 7:30 às 12:30 (ô vida boa de funcionário público....). E nem adianta ligar pra lá. Eles nunca atendem. E não precisa marcar hora. É só chegar. Se chegar cedinho, melhor. Evita fila e ainda dá tempo de ir caminhando pra escola.

O que você precisa levar:
- passaporte
- carta da escola com teu nome completo, data de nascimento e as informações do curso contratado.
- comprovante de endereço, que pode ser fornecido pelo landlord se você mora em um apartamento, ou pela escola se você está em alojamento estudantil ou host family. Lembre-se: se você está em host family, a pessoa responsável deve assinar esse papel.
- Extrato do banco, com o teu nome e endereço e mostrando o saldo de € 3000
- Comprovante de seguro saúde durante estadia na Irlanda, em inglês. Aqui, muita atenção com alguns detalhes: Se você adquiriu o seguro governamental, ele só serve pra Irlanda (se é que serve pra alguma coisa).  
Se você só adquiriu o seguro saúde internacional, fique atento porque teu visto vai depender da validade desse seguro. Eu tinha entendido que ao adquirir 6 meses de curso + 6 meses de férias o visto por um ano estava garantido. NÃO ESTÁ. Tudo vai depender da validade do teu seguro, sendo o governamental ou o de saúde/viagem.  Outra coisa: esse seguro deve cobrir todas as despesas médicas. Seguro viagem por si só não é aceito.
- Pagar uma taxa de € 150. Aqui outro cuidado: em Galway eles NÃO aceitam dinheiro em cash, só cartão de crédito. Não sei se em Dublin é diferente, mas Galway é assim. A menina que estava comigo teve que voltar outro dia pra fazer o pagamento. Eu, por sorte, estava com o VTM  na carteira. A atendente alegou que eles fazem isso por uma questão de segurança. Não sei se segurança deles para não serem assaltados ou como garantia de que o dinheiro não vai pra outro lugar... sei lá. Incrivelmente, o cartão sai na hora. Ah, detalhe: ouvi boatos de que esse valor vai aumentar, mas não confirmei ainda. Assim que eu descobrir, aviso por aqui.

Acabou? Se tu é estudante e não pensa em trabalhar, sim. Mas se tu quer tentar um emprego de meio turno, que o visto de dá direito nos 6 primeiros meses (nas férias pode ser de 40h semanais) tem que correr atrás do PPS (Personal Public  Service Number), que é tipo um CPF e te dá o direito de trabalhar legalmente. Ele é feito no Department of Social and Family Affairs, que é do ladinho da Biblioteca Municipal, na St. Augustine Street. Os horários de atendimento são: segunda, terça, quarta e sexta-feira das 09h30 às 16h e às quintas das 10h30 às 16h. Ao chegar, é só ir na recepção já com os documentos necessários (comprovante de residência/carta da host family, matrícula, passaporte e o visto) que eles conferem e te dão um formulário pra tu preencher. Retire a senha amarela e espere. Leve um livro, o iPad ou algo pra se distrair porque demora um pouco. No meu caso, foi pouco mais de uma hora. E dessa vez, não precisa pagar nada. Em torno de uma semana você recebe o número em casa.

Depois de toda essa via sacra, você tá totalmente legalizado na Irlanda. \o/

terça-feira, 10 de abril de 2012

Galway Food Festival

Uma das tendinhas mais simpáticas... com azeitonas e castanha do Pará ¬¬.

Hoje faz exatamente um mês que cheguei em Galway.
Parece muito, parece pouco.
Passou rápido. Parece que vivo aqui há quase um ano. Aprendi muito, conheci, acertei, errei.... mas fiz. E tem tanto ainda a ser feito, que com certeza não vai dar tempo de fazer tudo o que se tem vontade.

Enfim... bora falar um pouquinho do que tem sido feito por aqui.
Esse fim de semana de Páscoa, Galway promoveu o primeiro Galway Food Festival. Foi feriado na sexta e na segunda, ou seja: haveria bastante tempo pra mostrar quem e o que é produzido por aqui. A programação, segundo o folder, era bem extensa e com vários atrativos, tipo comida grátis. (E quem me conhece, sabe: falou em comida, tô dentro. Grátis então... já era.)

Porém, o tempo não ajudou e a propaganda foi maior do que efetivamente eu vi. Havia algumas tendas no Spanish Arch, que é um dos pontos turísticos da cidade. Mas os produtos e a oferta estavam no mesmo nível das tendinhas de badulaque da Festa da Uva: pouca variedade (umas 15 tendas), quase nada da cidade e preços acima do que se encontra normalmente. Os pubs e restaurantes também participaram, mas quando entramos em um dos lugares, por exemplo, não tava rolando o que a programação dizia. Além disso, restaurantes com valores beeeeeem longe do que meu cacife de estudante pode pagar. E de graça? Só entrar nas tendas e respirar, porque pra comer...

Por ser a primeira edição, achei bem decepcionante. Talvez pra quem tinha grana pra particiar dos eventos mais badalados, pode ter sido divertido. O que me leva a reconsiderar outras coisas: todos aqui falam com muito orgulho do festival de artes (que será em julho) e do festival de literatura (que será agora em abril). Vou com menos empolgação para esses próximos eventos, porque se for no mesmo estilo do Galway Food Festival, talvez esteja na hora de eu rever meus conceitos.

sábado, 7 de abril de 2012

Conhecendo a Irlanda (1) - Connemara


Quando se está na Irlanda, é impossível não pensar em conhecer outros países, já que tudo é relativamente perto.  Londres, Paris, Amsterdã...  estão sempre entre as opções de cidades mais procuradas. Mas o fato de estar por essas bandas não impede de conhecer o interior do próprio país onde se está. E particularmente, muitas vezes parece até mais interessante.
Sendo assim, parti com destino à região de Connemara, que abrange boa parte do condado de Galway (onde eu estou) e um pedacinho do condado de Mayo. O lugar é conhecido pelo misto de vegetações e paisagens, entre elas o típico interior bucólico e a costa litorânea do oeste irlandês. 
Passamos pelo Aughnanure Castle, que ainda estava fechado pra visitação, mas ao menos rendeu algumas fotos externas. Depois paramos em uma ponte que ficou conhecida por causa do filme Old Quiet Man, com o John Wayne. Cenário bacana, mas na real, não tem nada de muito especial ... é só uma ponte ¬¬.  A parada pro almoço foi na simpática cidade de Clifden, uns 78km de Galway City.

Centro de Clifden
Depois de um típico salmão com batatas, bora perder uns quilinhos no Connemara National Park, que cobre 2.000 hectares de terra, pântano, montanhas e pedras. Ele foi aberto em 1980 e desde então preserva a fauna, flora e história presente no lugar.  Há três opções de caminhadas para os visitantes.  Fizemos o percurso de 3 km, que passa pela base do pico Diamond Hill, assim dava pra ir tranquilo e fazendo umas fotinhos :)

Connemara National Park

Próxima parada: Kylemore Abbey. Esse castelo foi presente de um médico inglês chamado Mitchell Henry para sua esposa Margaret. Sim, o cara não se contentou em dar um presentinho mais simples. Se não bastasse isso, o casal comprou uma área de pântanos próxima para plantar árvores e proteger do vento o jardim murado do castelo. No final das contas, a esposa e uma das filhas morreram e o magnata vendeu o castelo, que virou uma abadia e uma escola de moças. E até hoje é assim. Só é possível visitar uma parte do castelo, mas a entrada é paga. Óbvio que eu sou pobre e não entrei, mas conversando com pessoas que já foram, todas são unânimes em dizer que não vale a pena

Kylemore Abbey
Durante todo o trajeto, se vê placas avisando que estamos em Gaeltachts (que eu comentei no post anterior). Há muitas daquelas típicas casas com telhadinho de sapê, rodeadas por inúmeras ovelhas. As cidadezinhas "maiores" tem sempre o centrinho, com o mercadinho, a igreja, as lojinhas e váááários pubs. Como qualquer cidade do interior em qualquer lugar.

Por final, mas não menos importante, o mosteiro Ross Errilly. Construído em 1351, já foi uma das maiores fundações franciscanas na Irlanda e hoje é a melhor preservada delas.  Os monges teimosos que ali viviam foram expulsos pelo menos umas sete vezes pelos soldados de Cromwell, mas em 1753 abandonaram o local, que se transformou em ruínas e ainda abriga diversos túmulos.


entrada do Ross Errilly
Um pedacinho da fachada
Os passeios pra Connemara são super comuns por aqui. A escola onde eu estudo oferece todos os fins de semana um passeio de ônibus pra quem tiver interesse pelo valor de € 15. As agências de turismo também oferecem valores aproximados. E também há a possibilidade alugar carro – que foi nossa escolha, já que tínhamos uma turma bacana. O aluguel de um carro médio com a gasolina deu € 17 pra cada um. Isso sem dúvida dá mais liberdade, tempo e tranquilidade pra viajar. Quanto a dirigir do lado “errado” da pista não foi um problema pra gente. Eu não me arrisquei, porque né... já não sou boa motorista no lado certo, imagina ao contrário...

Ah... e Feliz Páscoa! :)