| Despedida do Min da casa da Mary: vinhos e chocolates :D |
Algumas pessoas que pensam em fazer intercâmbio me perguntam: vale
a pena ir para uma Host Family? Bom, isso depende e muito. Como tudo na vida, morar por um tempo na casa de um completo
desconhecido tem pontos positivos e negativos. O principal para fazer essa relação dar certo é estar muito
disposto ao novo. Afinal de contas, tu é o intruso. Então, mesmo que, sim, você
esteja pagando por estar ali, tem que
ter noção de que você está na casa de outra pessoa. Então o mínimo que se deve
é respeito às regras ali estabelecidas.
Geralmente, a própria escola faz a seleção da família, conforme um
formulário com perguntas bem básicas. Você pode cair numa família com 4
crianças e 2 cachorros, como pode viver com uma pessoa só. Os preços são bem salgados então é comum comprar o pacote por 2 ou 3 semanas, até que você possa encontrar um novo lugar pra ficar.
Aqui, muitos amigos não se adaptaram às suas famílias, por mil razões.
A mais frequente é em relação ao cardápio e aos horários da janta. Aqui na
Irlanda é comum que as famílias jantem às 6 da tarde. Sim, os latinos (em
especial os espanhois) piram com isso, já que são acostumados a jantar por
volta das 10. Outra reclamação frequente é que a janta – que deve ser
fornecida pela família, como o café da manhã
- ou são aquelas refeições prontas
congeladas ou se come batata com batata. Às vezes acontece também de cair numa família
com problemas. Alguns colegas ficaram em famílias que o casal estava se
separando, o que deixava um climão pesado. Inclusive, um dos meus colegas se incomodou
porque ficou com um casal jovem (prestes a se separar) e o “pai” - que tinha praticamente a idade dele - tinha ciúmes
dele com a “mãe”, jovem, bonita e prestes a chutar a bunda do marido. Resumindo: é uma
questão de saber lidar com o novo... mas também contar com um
pouquinho de sorte.
Eu posso dizer que fui premiada. Além de ter outro estudante
na mesma casa - o que facilita muito na
hora que a gente chega e tá super perdido – minha host mother é um amor. A Mary é
uma senhora aposentada de 60 e poucos anos. Só nesse quesito já fechou todas: uma
senhora, assim como eu. Ela mora sozinha.. quer dizer... tem mais 4 gatos no
jardim. Conhece muito de história e já viajou o mundo inteiro. Quando eu tava lá,
tinha uma sensação de “férias na casa de vó”. Nos sábados, passávamos a manhã toda papeando sobre tudo e à noite, sempre assistíamos às péssimas soap operas da RTE (essas novelas merecem um post uma hora dessas, de tão mal feitas).
Já conversei com a Mary diversas
vezes depois de ter saído da casa, nos encontramos para o clássico chá com
leite e biscoitos e hoje visitei ela. Precisava pegar umas correspondências e
de quebra, ela me emprestou muitos mapas e guias para o meu primeiro mochilão –
que começa amanhã. Além disso, preocupada se eu tava me alimentando bem, preparou
uma sacolinha com frutas e bolos pra eu levar na viagem (pelo jeito ainda não pareço tão gordinha
quanto eu achava que tava, yes!).
Optar por uma host family é difícil porque você acaba não tendo
controle total dos seus horários, não se sente confortável - pois não é sua casa - e
às vezes tem um péssimo cozinheiro (o que, felizmente não foi meu caso) e ainda acontece de a família não ser tão receptiva e não conversar tanto contigo. O que é meio
imbecil, visto que esse é o objetivo de ficar nesses lugares: vivenciar um
pouco da cultura e costumes locais e praticar o inglês.
Mas também é muito 10, porque se você pegar uma família bacana, pode praticar o inglês, ficar informado sobre as coisas da cidade e do país, comer comida
típica e viver um pouquinho da rotina do lugar. Pra mim valeu muito, porque além de tudo isso, ganhei
uma grande amiga, que serve de porto-seguro nessa terrinha desconhecida, mas que eu já adotei como lar.