domingo, 24 de junho de 2012

Festa na roça é pra lá de bão

Aprendi a gostar de música gaúcha depois dos 18, nunca fui num CTG (Centro de Tradições Gaúchas), fujo do Carnaval como o diabo foge da cruz e reza a lenda que nunca fui numa festa junina. Ou melhor: nunca havia ido. 

É fato: eu tenho fobia de festas tradicionais. Não sei porquê, durante minha infância e adolescência, sempre mantive um distanciamento de coisas típicas locais. Só depois de “velha” é que comecei a me interessar. E aí tu vê como as pessoas mudam.

A escola onde estudo tem essa coisa de às vezes promover festas típicas de cada país, onde os próprios alunos organizam. Junho é tempo de festa junina. Hora de fugir.. ou não. Quando eu me dei por conta, já estava cortando bandeirinhas, me metendo no teatro e palpitando no cardápio. Confesso que de início achei que a galera não ia pilhar – atualmente na escola tem em torno de 20 e poucos brasileiros. Mas no fim, não é que a coisa deu certo? 

Pessoal na preparação das bandeirinhas

A festa atraiu gente de tudo que é lugar. Teve quentão, pipoca, maria mole, bolo de fubá e arroz doce. O pessoal improvisou a vestimenta com o que tinha em casa e a galera aderiu às pintinhas no rosto, bigodes e monocelhas. A banda Kalanguetal foi ótima, o pessoal dançou forró e curtiu muito. Dancei minha primeira quadrilha e fui o correio elegante, entregando mensagens pros futuros possíveis casais e fazendo muita gente achar que estava sendo galanteada por algum gatinho, quando na verdade estavam sendo sacaneados pelos amigos.

A ponte quebrou!.. mentiiiiira


Cupido capira - juntando casais desde 1995


Acho que o que despertou o interesse na festa, não só em mim como em outros, foi o fato de que dessa vez não seria uma mesmice. Dessa vez a gente tinha que mostrar o melhor que tinha para pessoas que não tinham ideia do que era uma Festa de São João. Não que eu tivesse muito, porque né, minha experiência nesse quesito deixa a desejar. Mas o legal é que aos poucos a gente percebe o quanto a gente não conhece nada do lugar que a gente vem e de repente começa a se interessar. Eu passo muita vergonha aqui quando as pessoas me perguntam como é o Rio de Janeiro e eu não tenho como responder, porque nunca estive lá. Mas também arraso quando surpreendo elas dizendo que “Yes, temos inverno e frio com temperaturas negativas” (um salve pro pessoal que tá em Caxias e em breve vai ler isso com a estufa ligada).

E não adianta, a gente pode reclamar muito de brasileiro (e eu reclamo mesmo, porque de vez em quando dá vergonha alheia nível 150). Mas acho que ninguém sabe fazer uma festa tão animada como a gente. E segue abaixo o vídeo do nosso casamento caipira. Tosco, mas de coração.



Produção: Elena Toniato - Roteiro: Marcelle Monteiro - Elenco: Tatiana Perrone, Matheus Bombicino Jardini, Valdair Alves, Jader Moraes da Silva, Antonio Barbosa, Angélia Braatz, Murilo Teodoro, Giordane Vieira, Jamile Oliveira , Bruna Batista e Rodrigo Padin - Make up: Angélia Braatz - Trilha sonora: Kalanguetal - Produção Executiva: Atlantic Language School.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Minha trilha sonora ao vivo



Eu vi a Irlanda pela primeira vez da janelinha do avião ao som dessa música aí de cima - se quiserem ouvir enquanto leem o post, é uma ótima trilha sonora. 

Aquele período de 3 ou 4 minutos foi um dos momentos em que eu me senti mais feliz em toda a minha vida. Eu tava realizando meu único grande sonho, damn it! Pode ser bobagem pra alguns, mas pra mim não. Foi a primeira, e até agora única vez que eu chorei desde que cheguei. Mas ok, não é isso que eu queria falar.

Antes de vir pra Europa eu sabia que a chance de ver algum show legal seria grande, mas ainda não sabia quem ou o quê eu poderia assistir. Não que aqui em Galway não tenham shows bons, longe disso! Os músicos daqui são maravilhosos. Mas quem me conhece sabe que eu sou louca por um showzinho de bandas internacionais com milhares de pessoas.

No primeiro mês, já a primeira surpresa junto da primeira decepção. Na minha Galway querida, show do Franz Ferdinand... ali, do ladinho, naquele palco de meio metro de altura do Roisin Dubh... Em menos de duas horas, venderam os 200 ingressos, óbvio. Eu não tive chance porque naquela época eu estava sem internet e o jornal anunciou as datas erradas da venda de ingresso (#fail). A decepção foi grande, mas não chegou aos pés da que eu tive com o Weezer há uns 8 anos atrás (longa história: mas resumindo, ganhei ingressos e não fui no show). Mas tudo bem, eu já tive oportunidade de assistir Franz em Porto Alegre antes, então.. Dor no coração, mas ok, supero. 

Até que a oportunidade mais que perfeita surgiu: a banda que eu me encantei há um tempo atrás e que foi a trilha da minha chegada na Irlanda faria um festival em... Galway! Ou seja: sem despesas com transporte, sem taxas, apenas o ingresso. Mumford & Sons faria um show em Salthill Park, meia hora de caminhada minha casa e... peraí, peraí peraí ... quem?? Sim, porque quando eu contei empolgadésima pras pessoas que Mumford & Sons iria vir pra cá, ninguém sabia quem era. E acho que muitos que tão lendo esse post também não fazem a mínima. Se estiverem curiosos, tá aqui o site oficial e a Wikipédia. Não, não é uma banda irlandesa... são britânicos.

Anyway, na falta de companhia, fui com a caravana do “eu sozinha” mesmo. Ou melhor... com minha câmera, meu óculos de sol e minha água mineral. E super me deixaram entrar com água mineral, só que eles tiram a tampa e cheiram o interior. Acho que a galera que eu vi antes de entrar e que tava despejando uma Smirnoff na garrafa pet deve ter pedido alguns 20 e tantos euros...


Gentlemen of the Road

Bandeiras espalhadas com o logo do Festival
Banda desconhecida... que nada! Tinha uma super galera! Não vi nem ouvi estrangeiros, como habitualmente acontece em qualquer outro lugar aqui. Só tinha irish mesmo. Não consegui encontrar nos jornais ou em nenhum outro lugar a estimativa de público. Mas sem dúvida havia alguns milhares. O festival se chama Gentlemen of the Road e durante um dia inteiro, várias bandas se apresentam em dois palcos. Esse festival é organizado pelos próprios integrantes do Mumford & Sons e geralmente passa por cidades menores.

Quando eu cheguei já tava assim... e era 6 da tarde.

Antes do show principal, consegui assistir Nathaniel Ratelcliff – bem bacana, por sinal e The Vaccines, que eu já achava curtia e tal, mas que no show me decepcionou um pouco. Não agitou muito a galera.

The Vaccines: curti, mas achei que seria mais empolgante
Tudo pronto pra começar! (essa manga tá ridícula, henhôôô...)
Na hora de Mumford & Sons... bom, vocês sabem. Galera cantando alto, pulando, gritando, fazendo milhões de vídeos e fotos. Fiquei consideravelmente na frente, o que me rendeu alguns empurrões e Bulmers derrubadas do meu tênis estrelado de 3 euros. Mas ok, eu supero, como sempre. Os caras foram muito simpáticos com o público e tocaram algumas músicas do novo CD que sai agora em setembro. (Sem contar que a maioria deles são umas gracinhas – sem ciúmes, Gabri)


Cantei, gritei, pulei, me diverti. Muito. O show foi sensacional. Mas enquanto eu voltava a pé pra casa, à meia-noite – não se assustem, isso ainda é cedo – eu fiquei pensando no quanto meus amigos da gringolândia (vulgo Caxias do Sul) tinham que estar comigo naquela hora e como teriam curtido, porque foi perfeito. Ou melhor... faltaram eles pra ter sido perfeito.

PS atualizado dia 06 de julho: Ah... e essa semana ainda fui no show do Thin Lizzy (sim, Edubis, eu sei que não é a formação original... but who cares??)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Eurotripando por aí (6) - Edimburgo

Vista do Castelo de Edimburgo

Nem deu tempo de respirar em Galway, já me mandei pra terra do Monstro do Lago Ness (mas não visitei o dito cujo). A Escócia é um lugar que sempre tive vontade de conhecer. Eu já fazia parte da banda escocesa do colégio e amava o xadrez escocês dos kilts, o chamado tartan (momento cultural). Num impulso incosequente, me mandei pra Edimburgo pra passar dois dias de chuva com uma galera da escola.  Ah sim, você deve estar se perguntando... “inconsequente por quê?” Tá... talvez você não esteja se perguntando, mas eu explico de qualquer forma.

A cabeçuda aqui fez a maior pressão na galera pra viajar no final de semana do dia 9 de junho e passar 3 ou 4 dias. Só que a cabeçuda também esqueceu que era o mesmo final de semana do show do Mumford & Sons, cujo qual eu havia comprado ingresso há mais de um mês. Esperta né? Pena que só me dei conta disso minutos DEPOIS de termos comprado as passagens. Tive que voltar antes, porque né... não ia perder o show.
 
Perdeu, playboy

E aqui galera, fica a dica: Ryanair às vezes não é tão legal assim. Tudo bem que é um Visatão voador com preços super legais, que te leva por toda Europa. Porém, essa promoção toda tem seu preço. Como o serviço de compra funciona basicamente pela internet, tudo que você fizer de errado... bem, a culpa é sua. Você paga por isso. No meu caso, por exemplo, compramos seis passagens juntas. Eu gostaria de mudar apenas o meu voo para um dia antes. Ok, posso fazer isso, BUT tem que pagar uma taxinha básica de 60 euricos. Ahhh errou o nome também? Sem problema, pague mais 110 euros que tá de boa, aí sim você pode embarcar. Resumindo a novela: se tu fez bobagem, vale mais a pena comprar outra passagem e perder essa grana do que modificar alguma coisa no teu voo.

Pra quem não conhece: a Ryanair é uma companhia aérea low cost, ou seja, faz voos por preços acessíveis. Por exemplo: minha ida e volta de Dublin até Edimburgo teria custado por volta de 45 euros (se eu não tivesse cagado na vara).  Então, é realmente barato.  Outra coisa: na hora da bookar o voo têm muitos “pega-ratão”. Durante o momento da compra, muitos serviços acabam sendo assinalados sem querer, como seguro de vida, aluguel de carro, bagagem extra, etc., aumentando o preço do ticket sem tu te dar conta. Então, fique esperto.

E mais: pelo preço da passagem, só é possível levar bagagem de mão que não ultrapasse o tamanho de 55cm x 40cm x 20cm, pesando no máximo 10 kg. E tem que enfiar tudo ali.. bolsa, chave, câmera... Tem até uma gaiolinha bem simpática em frente do check in pro pessoal averiguar se tua mala entra ou não. Não é difícil ver neguinho apanhando pra fazer caber. Ah, não coube? Extra charge pra ti: paga. Ou então, faça como eu e milhares de passageiros: vista todas as blusas que tu tens, enfie as lembrancinhas no bolso, finja que caiu na cantada do atendente... São inúmeras possibilidades de dar um jeitinho brasileiro nessa situação e sem precisar fazer nada ‘ilegal’.

Fala de Edimburgo, guria!

Dados os toques sobre Ryanair, vamos a Edimburgo. O sotaque forte já é logo visto no nome da cidade. Edinburgh, ou melhor “Edimbrrááá”, que aprendi a pronunciar em uma aula de inglês com o Jeff na Skill, é melancolicamente encantadora. O cenário faz tu se sentir em algum filme à lá Sherlock Holmes. Mesmo com dois dias de tempo péssimo, chuvoso e nublado, é fácil perceber a beleza da cidade. De fato, acho que até deu um clima mais escocês. Mas o frio era super dispensável. Errei no figurino, pra variar.

A gente ficou num hostel muito bom, o Westend, localizado na Palmerston Place, pertinho da St. Mary’s Cathedral. O problema era o atendente. Sabe aqueles caras que tão pouco ligando pra ti, com ar esnobe do tipo “amiga, você demora muito tempo pra ficar aqui na recepção respirando o meu ar?” O preço é legal, por volta de £14 mas não tem café da manhã incluso, e se puder, não pegue. Acho que se consegue coisa melhor nos arredores por um preço melhor.

Ó o meu xadrez tartan por tudo :)

O que fazer?

Não consegui conhecer nem metade do que eu queria. Por uma série de razões. Primeira e óbvia: pouco tempo. Precisaria de mais uns 2 dias no mínimo pra fazer tudo o que eu queria. Segunda: a chuvinha amiga acompanhada do ventinho e friozinho queridos, impedia qualquer visita externa de maneira confortável. E outra que viajar em galera é mais complicado pra quem curte mapear a cidade. Estávamos em seis (eu, Gabi, Bruna, Pedro, Rodrigo e Muriel) e inevitavelmente há atraso, um quer fazer isso, outro aquilo. De qualquer forma, foi super divertido (ao menos se tem companhia pra festa e fazer zoeira na loja de pizza e falafel depois das 2 da manhã!)


Os homeless de Galway: Pedro, Rodrigo, Muriel, Bru, eu e Gabi

O centro de Edinburgh ainda mantém o aspecto medieval, com pedras dominando as construções, dando a cara de Old Town. E com um castelo no meio da cidade, não tem como não querer preservar um ambiente similar. O Castelo de Edimburgo é visível de todos os pontos centrais. Erguido sobre a colina de Castle Rock, é uma das atrações principais da cidade. Entrara de £ 16, sem choro pra estudante, menores ou o caramba. 

Castelo de Edimbrrráááá

Todos os dias, às 13h, tem o “One O’clock Gun”, que é tipo um canhão (mas que não é canhão O.o) que atira pontualmente às 13h, menos aos domingos.  Antes disso, um show de gaita de fole, claro. (E não é piada: se ouve gaita de fole por todos os lugares nessa cidade)! Entre as atrações do castelo: zilhões de museus sobre guerra e sobre a guarda escocesa, as joias da coroa da Escócia, prisões antigas, capelas etc. E você pode ser recebido pelo William Wallace na entrada, assim como a gente. Esse ano foi construída provisoriamente uma espécie de arena que servirá pra sediar atrações do festival, que ocorre sempre em agosto. O festival de Edimburgo na verdade é uma miscelânea de festivais de tudo que é tipo: teatro, opera, música, dança, e por aí vai. Meus amigos coreanos vão visitar nessa época. Eu achei as passagens muito caras,  aí não deu. 

Nosso recepcionista do castelo. Prefiro o Mel Gibson, mas né.
Fora dos muros do castelo...

Pra conhecer a cidade, fomos atrás do Free Tour, aquele que eu comentei no post sobre Paris. Já que tinha sido legal lá e o pessoal que tava comigo fez um bacana em Amsterdam, achamos que em Edimburgo também deveria ser massa. E tinha tudo pra ser. Infelizmente, nosso guia era um irish com cara de nerd que falava, falava, falava e falava. O que ele dizia era interessante, mas como ele era muuuito lento e como eu não tinha dormido, já que usamos a madrugada pra viajar, eu tava com muito sono e dormindo em pé. Por sorte (ou não), a Bruna perdeu a carteira (pela primeira vez. Ainda viriam mais). Abandonamos esse free tour. Mas é bem possível que haja guias mais bem instruídos, já que no dia que fizemos o passeio, mais de 4 grupos saíram do ponto de encontro que é na Royal Mile, principal avenida da velha cidade. 

Royal Mile, point da Old Town
Ali na Royal Mile você encontra diversos prédios históricos, catedrais, estátuas homenageando alguém e um coração de pedras cuspido. Sim, dizem que cuspir no coração de Midlothian é pra atrair boa sorte. Aparentemente a história é outra, os locais faziam isso pra demonstrar o quanto estavamo putos com as autoridades e tal. E é comum ver gente passeando numa boa de repente, uma cusparada ali. 
Coração de Midlothian: e teve gente que usou o local pra pedidos de casamento...

E se você for pra lá por esses tempos, não repare: a cidade tá um mega canteiro de obras, com essa história de instalarem o Tram e provavelmente com as Olimpíadas.

Rrrrraped and scrrreeam

Não deu com o free tour, mas deu pra conhecer a cidade de uma maneira peculiar. Dizem que Edimburgo é uma cidade mal assombrada e o pessoal se usa disso para promover os chamados Ghost Tours. Depois de pesquisarmos na internet e olharmos algumas comparações, escolhemos um tour completo com a Mercatours que foi sen-sa-cio-nal. A guia era demais e interagia bastante com a galera. Durante o passeio, passamos por diversos lugares, onde ela ia contando as lendas de cada local. Todas histórias são baseadas em fatos reais, mas sempre com um requinte de terror, com mutilações, torturas e fantasmas. Visitamos também as galerias subterrâneas abandonadas, guiados apenas por uma vela e pela voz da nossa guia, que apresentava os mais famosos casos sobrenaturais do local. No final, ainda deu pra tomar um vinhozinho e ouvir mais histórias numa taverna particular.

Demonstrações de tortura com turistas.
Encontrar pessoas pelo caminho é algo muito comum nessas viagens, tu nunca fica sozinho. Perdido pelo caminho, encontramos o Matt, um australiano que está fazendo mochilão pela Europa. Ele me lembrou MUITO o meu amigo Chemello. Certo que eles iam conversar sobre pergolados e Iberê Camargo (ele não era arquiteto, mas  entendia de arte e não sei la mais o quê). Ele foi um parceiro de passeio e festa, além de ter sido ótimo conversar com um falante nativo. Aqui segue o fotolog do mochilão dele.
Perdidos nas matas de Edimburgo

Comer, comer

Acho que muita gente, assim como eu, quando viaja, adora experimentar a comida local. Na Escócia, um dos pratos típicos é o Haggis. Ao procurar na internet o que era, me arrependi e disse que não ia comer (dá uma olhada na Wikipédia pra ver se dá vontade de comer). Mas paramos pra comer num pub/restaurante muito simpático. Depois de muita enrolação, arrisquei um Haggis com molho de whisky. Ei. A carinha do prato tava delícia e o sabor, melhor ainda. E tinha até vegetariano, feito com vegetais (ou sei lá o quê). Pena que não tenho foto pra provar isso pra vocês. Mas a lição do dia: na dúvida, arrisque. O máximo que vai acontecer é não gostar e ter que comprar outra refeição (ou leve um sanduba na bolsa). O pub é o Nº 12 Black Bull, que fica no Grassmarket, que tem muitos pubs e lojinhas, e durante o dia há aquelas feirinhas de artigos marroquinos e bibibi. Antigamente, o local era palco de muitas execuções e alguns dos estabelecimentos se usam disso pra se promover. 

Pub no Grassmarket

Ah, uma curiosidade: pra quem acha que o kilt tá fora de moda ou é coisa do passado, muito se engana. Aqui é super comum ver homens usando, principalmente em eventos sociais. Como era fim de semana, muitos casamentos e coisas do gênero estavam acontecendo e vi vários senhores vestidos com kilts de luxo, entrando em igrejas e hotéis, acompanhados de mulheres em trajes sociais de festa.

Deve ser o pai da noiva.

Roupa ideal para um ida ao cinema com amigos.

Dois dias é nada pra Edimburgo. Faltou eu ver o Scottish National Gallery, Calton Hill, Royal Botanic Garden e por aí vai. Eu me apaixonei por Edimburgo. Não foi como Paris que me conquistou aos poucos ou Bruxelas que eu me encantei por ser um desafio. Foi amor à primeira vista, assim como Galway. Mas Galway chegou primeiro e já tem meu coração. Por isso, chega de falar de outros lugares. Bora voltar pra lá que é meu lugar (ao menos, por enquanto).

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Eurotripando por aí (5) - Paris

Vista da Pont Alexandre III, aquela da Adele :D

De Bruxelas para a Cidade Luz

Quis resolver dar uma de phyna, sair de Bruxelas e ir pra Paris. Como? De busão, óbvio. Trem, ao contrário do que muitos pensam, é bem mais caro. E pra quem acha que só no Visatão de Caxias tem baphão, é porque nunca pegou um Eurolines em fim de feriado. Pra vocês sacarem um pouquinho do trajeto (de quatro longas horas): a senhora gigante atrás de mim – que não parou de se mexer e não calou a boca e sem tecla SAP – resolveu tentar botar o filhinho querido pra dormir. Eu não manjo nada de francês, mas deu pra entender que ela queria colocar uma música no celular. E que música seria essa? “Ai se eu te pego”, óóóóóbvio. Seguido de algum outro funk pancadão, claro. A criança vai dormir que nem um anjo.

E foi nessa vibe que cheguei em Paris. Primeiro desafio: o metrô. Achei que eu já tivesse craque depois de Bruxelas... de fato, eu tava. Mas né... compre tickets em uma língua que tu não conhece pra ver o que acontece... Fui na base do tentativa e erro e do “Excusez-moi, je ne parle pas français”.  Como eu vim de Bruxelas, já deu pra se acostumar um pouco com a língua. Só que agora, nem sinal do inglês.  Mesmo sendo cidade turística, a grande maioria das informações são todas em francês. Te vira, nega.

Onde ficar?

Depois de mil baldeações do metrô, cheguei ao destino. A linha de metrô é imensa e te leva pra basicamente todos os lugares de Paris, mas é facinho de achar. Fiquei no Hostel Caulaincourt. Lá encontrei a Gabi, minha colega na Atlantic. Ela é argentina, mas é legal. Baita parceria mesmo! Enfim... o lugar é bem bacana, tem todo um ar meio “cabaré”. Acho que são os papeis de parede bordô com florais que dão essa impressão... E tenho que dar os parabéns no quesito breakfest... eles têm o melhor café da manhã EVER dos hostels que eu passei. Croassaint, baguete, suco... tinha até Choco Crispis (aqueles sucrilhos de chocolate do elefantinho, sabem?) Uma hora inteira dedicada ao café da manhã. O hostel fica no coração de Montmartre, conhecido como o bairro dos artistas e que é muito bacana. Meio longe do centrão, mas como eu disse, dá pra ir de metrô por tudo ou a pé, se tu tiver tempo.

O que fazer em Paris? Fala muito sério...

Antes de qualquer coisa, só queria dizer que Paris era de longe um dos últimos lugares que eu escolheria pra visitar. Todo aquele glamour, aquela pompa, aquela frescura e bibibi nunca me atraíram. Mas como era no caminho, a passagem tava razoavelmente acessível e menores de 25 anos não pagam pra entrar nos museus... tinha que aproveitar. E também porque eu sabia que se eu não fosse pra Paris, ia ouvir a minha prima Grasi me xingando até não poder mais!

De cara, Paris me impressionou. Tudo é grandioso, majestoso. Nada é pouca coisa, tudo precisa ser mega e muitas vezes chega a ser caricato. Desde a parte mais histórica, com detalhes em ouro, até as ruas boêmias com traços em art noveau. Quando tu tá visitando e acha que já viu tudo no lugar, é porque tu é um imbecil que não olhou pro lado, porque provavelmente tem mais alguma coisa que tu não percebeu. Sério.

Montmartre e seus artistas. 
Dar dicas de onde ir é pretensioso demais pra quem passou dois dias e meio. Mas posso dizer que deu pra conhecer muita coisa. Impossível citar tudo aqui... Montmartre com seus artistas que pintam e desenham os milhares de rostos que passam por ali diariamente; pertinho dali tem a igreja de Sacre Coeur, com uma vista fantástica da cidade; o Arco do Triunfo, que pra mim foi muito mais bonito do que eu imaginava. Ahhh... fica a dica: você não precisa atravessar as DOZE pistas pra chegar até o arco... Tem uma passagem subterrânea. E não acredite nas pessoas que dizem que você pode atravessar. Você pode, mas o risco de ser atropelado é bem significativo... 
Até então, bacana, nada de super demais em Paris.

Vista de Sacre Couer

Eu e Gabi abalando no Arco do Triunfo, depois de quase atropeladas.

Tour pode ser legal

Eu tenho pavor de tour. Coisa de turista. Mas tem um lance na Europa e que em Paris valeu muito a pena fazer. O Free Walking Tour da Sandemans tem uma ideia muito interessante: todos os dias, os guias vão a um ponto de encontro e de lá, levam os turistas pra conhecer os principais pontos da cidade em uma caminhada que dura de 3 a 4 horas. Ao final, tu escolhe quanto tu quer pagar pro guia. No nosso caso, o guia era sensacional. Não lembro o nome dele, mas ele é de Los Angeles e morava em Paris há alguns anos com a esposa, que é de lá. O passeio foi super descontraído, com dicas valiosas, dados históricos (sem ser boring) e serve pra ter um panorama geral da cidade para, aí sim, decidir os lugares que tu quer conhecer mais a fundo. Valeu super a pena. Depois disso, me dei conta de que eu tava no palco central de muitos eventos históricos importantíssimos (dã). Paris começou a se tornar mais interessante.

Turistas: ô raça desgraçada

Detesto turista (sim, eu sou turista também).  E em Paris eu entendi o porquê dos franceses terem a fama de ser grosseiros: porque turista também é. Turista em Paris em geral é mal-educado, espalhafatoso e acha que falando inglês mais alto os franceses vão compreender. E o francês não precisa ser educado porque sabe que todo mundo vai à Paris, não precisam promover a cidade. Alguns amigos aqui em Galway comentaram de terem passado por péssimas experiências por lá. Eu já posso dizer ao contrário: todos franceses foram muito gentis comigo PORÉM, veja bem, porém nunca me responderam em inglês. Quando eu perguntava alguma informação, eu sempre começava pedindo desculpas por não falar francês e pedia se a pessoa podia me ajudar. 99% das pessoas eram extremamente gentis, mas 98% te respondia em francês. Eu aprendi francês na marra em dois dias.

Um ponto que eu me estressei muito com o lance de turistas foi no Palácio de Versailles. (Só um adendo: Gente, o lugar é uns 40 minutos de Paris, vale muito a pena. O trem também é baratinho, 7 euricos ida e volta. O lugar é lindo, com milhões de aposentos e jardins eternos que não acabam nunca mais. E claro, muito ouro.) Foi lá que quase fui atropelada pela terceira idade oriental e suas câmeras digitais. Os véio não sabiam nem do que tavam batendo foto, mas empurravam Deus e todo mundo pra clicar, sem ao menos um enquadramento. Um horror. Mas ok... paciência...

Versailles infestada de turistas. 

Coisas bacanas de ser intercambista

Eu já falei aqui que uma das coisas mais legais de morar fora é conhecer gente do mundo todo. A Stéphanie é francesa e foi minha colega na Atlantic. Combinamos por e-mail de nos encontrarmos para um jantar. Ela nos levou em um típico bistrô, com direito a vinho francês e sobremesa. É muito legal quando a gente visita os lugares e as pessoas mostram orgulhosas as coisas legais que a cidade tem. E a Stéphanie fez isso muito bem! Espero um dia poder retribuir a essas pessoas.

Gabi, eu e Stéphanie destruindo um filé.

Pra fechar a noite... Torre Eiffel, símbolo master de Paris. Ela é de fato bacana, mas durante o dia ela não é tudo aquilo. Inclusive, me decepcionei ao ver ela à tarde. O negócio é que ela te conquista à noite, com aquele show de luzes que, falando, ninguém acredita no quão lindo é. Nem eu acreditava até ver com meus próprios olhos. Até então eu tinha achado Paris legal, mas depois da Torre Eiffel à noite... aquela cidade quase me conquistou. Quase, porque eu sou moça difícil, né?

E não é que é bonito mesmo??

O paraíso dos museus

Em Paris tu respira história. Tudo, tudo, tudo tem uma história por trás, mesmo que restaurada, reformulada ou maquiada. A gente sabe disso, mas não se dá conta até estar lá. E pra deixar isso mais evidente, nada melhor do que museu. E lá tem museu pra tudo. Deu dó de entrar em tão poucos. Consegui ir no Petit Palais, no Musée de L’Armée, onde tem a tumba de Napoleão, cheguei tarde pro Museu D’Orsay, pro Grand Palais e pro Museu de Fotografia.  Lembrando: menores de 25 anos, aproveitem! Museu é tudo “de grátis” pra nós!!

E foi então que eu finalmente me rendi aos encantos de Paris graças ao Museu do Louvre. Monalisa, Vênus de Milo, Leonardo da Vinci, antiguidades egípcias... É imensurável. Eu passaria dias lá. Em determinado momento, meu cérebro deu nó, pane total, sobrecarga de informação... já não sabia mais nem meu nome. O que eu precisava era só de um cantinho e uma comidinha qualquer pra me preparar pra deixar essa cidade que me surpreendeu e me conquistou. Paris, você venceu. 

Da série: jumping around the world com cara de retardada, no Louvre.

Ps: pra não dizer que viajei por aí e não encontrei ninguém famoso: vi o Celso Portioli em Notre Dame ¬¬. Eu preferia ter encontrado outra pessoa, mas né...

domingo, 27 de maio de 2012

Eurotripando por aí (4) - Bruxelas

Grand Place

“Bruxelas?... Hm.. é ok. Não tem muito o que fazer.”

Isso é o que me falavam quando perguntava ou quando eu lia em blogs. Minha opinião: Bullshit. Bruxelas tem o quê fazer sim. Prova disso é o tamanho desse post, que tá gigante. Pra achar algo interessante, basta saber procurar. E se você tiver uma ajudinha, melhor ainda. No meu caso tive duas grandes. A primeira delas eu encontrei assim que cheguei no hostel em Bruxelas.

Brussels is ugly and we love it.

Essa foi a primeira frase do guia que recebi no hostel. O projeto do Use it Europe é criar mapas para jovens viajantes, saindo daquela bolha turística e dando opções pra entrar em contato com a cultura local. São feitos pelos próprios moradores e tentam ajudar a responder questões básicas do tipo “só tenho tempo pra um museu, qual deles devo ir?” ou o clássico “onde faço coisas legais e baratas (ou de graça)?” De forma bem engraçada, eles mostram, além dos pontos turísticos clássicos, algumas coisas bem escondidas que praticamente só quem mora lá sabe que existe. Há outras cidades que possuem esses guias, como Cork, Porto, Praga e até Bruges. Eles são distribuídos gratuitamente apenas em hostels, onde atingem o público alvo e evitam que o lugar se torne mega conhecido pros turistas malas.

Minha outra ajuda veio de Liége. Pra ser mais exata, de São Carlos, em São Paulo. Há uns 10, 12 anos, quando o ICQ ainda era top de linha, eu participava de um grupo de discussão sobre o seriado Friends. Eram mais de 50 pessoas de todas as partes do Brasil. Com algumas delas criei mais afinidade, troquei cartas, telefonemas e sigo em relativo contato até hoje. Uma delas era a Laurinha, que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente em Bruxelas depois de mais de 10 anos de amizade virtual. Pode parecer estranho, mas ao nos encontrarmos, parecíamos amigas de infância... o que de certa forma somos, mas de uma maneira um tanto peculiar. A Laurinha está terminando o mestrado em Liége e gentilmente topou me encontrar em Bruxelas. Se nada mais der certo na vida dela (o que eu super duvido), tá aprovada pra ser guia local.

Merci, Laurinha! :)

Onde ficar?

Por falta de opções e seguindo indicações do meu amigo Chemello, fiquei 3 noites no 2go4 Hostel. A localização é bem interessante: pertinho da Estação Gare Du Nord (ótimo pra quem vem de Eurolines, que foi meu caso) e também pertinho da Grand Place, onde tudo acontece. Notem que meu “pertinho” não é do lado, ok? Eu gosto de caminhar. 

Fiquei num quarto misto, com 14 pessoas. Super organizadinho, banheiro coletivo super limpinho, não tem do que reclamar da organização. Mas pelo que eu tava pagando, era o mínimo. Achei o preço salgado, já que não tinha café da manhã e todos os outros hostels estavam lotados: € 26. Mas eles têm um espaço bacana pra cozinhar, acessar a internet e confraternizar com outros backpackers.
 
Metrô – o bicho de sete cabeças

Estação Heysel do Atomium. Uma gracinha, já diria a Hebe.

Aqui na “zoropa” eu to sendo colona master, fazendo coisas que nunca tinha feito na vida. Coisas simples como, por exemplo, mandar um postcard e andar de metrô. Sim, eu só tinha andado de Trensurb até hoje, e daí? Então tá... já que é pra andar de metrô, vamos começar pelo difícil e comprar tickets em outra língua. O que, na verdade, não é difícil. Bruxelas facilita a vida de todo mundo que fala inglês, disponibilizando quase todos seus serviços em três línguas: flamengo, francês e inglês. Assim, não foi tão complicado pra pegar meu primeiro metrô. Não me perdi e de quebra ainda treinei pro metrô na França (esse sim, todo em francês...)

Ma onde tu foi, dio cristo?

Vamos começar pelos pontos turísticos básicos. Primeiro deles: o Atomium. Fica bem afastado do centro – 20 minutos de metrô. O troço é tipo uma Torre Eiffel de Bruxelas e representa um átomo (jura?). Foi construído em 1958 para a World Exhibition, quando se acreditava que a energia nuclear salvaria o mundo. Dá pra entrar e visitar, mas pra isso precisa pagar € 11. Do lado tem a Mini Europa. Não fui... porque né, tem o mini-mundo em Gramado... 

Atomium dominando a paisagem

O Grand Place é onde tudo acontece. A praça é toda linda, com construções que parecem aqueles castelos de areia úmida que a gente faz na praia (mas bonitos, óbvio). Infelizmente não deu pra ver todos porque além de ter muitos prédios em reformas, tinha o palco do Festival de Jazz, que tapava toda a fachada do museu. O City Museum conta a história da cidade e também é responsável pelo guarda-roupa do Manneken Pis.

Pedacinho da Grand Place

Manneken Pis é um dos símbolos do país. “É só isso mesmo?” Sim, o menino que mija é realmente uma estatuazinha ridiculamente minúscula, mas um montão de gente fica em torno pra fazer uma foto. O legal é que em alguns dias ele tá vestido com alguma temática diferente e tem desde roupas típicas de países até o jumpsuit (macacão, segundo a Gabe) do Elvis. No dia que eu fui não tinha roupinha nenhuma :( . Ele também tem uma irmãzinha, a Jeanneke, que foi criada por um restaurante pra atrair mais visitantes, só que o restaurante fechou então a coitadinha não mija mais e tá trancafiada num beco.
Ilusão de ótica: Manneken mijando na mulher
A Jeanneken com a maior cara de quem tá com problema urinário.
A Jeanneke pode não tá fazendo xixi, mas em compensação quem passa pelo pub que fica em frente à estátua deve ir muito ao banheiro. Principalmente depois de beber algumas das mais de 2000 cervejas que a Delirium tem. Esse pub já entrou no Guiness Book pelo maior número de tipos de cerveja. Hoje eles já perderam a conta. O lugar é tri bonito, mas é apinhado de gente (turista) - ou seja - bem complicado de achar uma mesinha amiga.
 
Cerveja, aliás, é o que não falta na Bélgica. Provei lá a chamada Kriek, que é uma cerveja feita com um tipo de cereja. Pra mim, mais parecia um experimento de Halls cereja numa Bohemia. Mas gostei do resultado. Também fui no Café Leffe e provei o chopp deles. A Leffe é uma cerveja que eu já gostava muito no Brasil. Mas tomar em uma mesinha do bar da Leffe, num fim de tarde, com ótima companhia e petisquinhos com formatinhos felizes, não tem preço.

Dando uma de phyna (ou seria Ray Charles?) No Cafe Laffe
Na minha listinha de experimentar coisas típicas, inclusive, faltou alguma cerveja Gueuze e alguma das Trapistas.. mas eu já tinha tomado Chimay no Brasil, então ok. Ah, aqui na Bélgica é impossível sair sem provar um Waffle ou as batatas fritas em cone. Façam uma favor pra vocês mesmos e provem as batatas com molho andaluz!

Chega de gordice, vamos pras artes
Pros amantes da arte e cultura, Bruxelas é prato cheio. Primeiro que eu entrei na loja da Taschen. Quase morri. Sabe aqueles livros carésimos que tu vê na Saraiva, com fotos maravilhosas? Pode apostar, é Taschen, que é uma editora que só publica coisas sobre arte, fotografia, moda e cinema.

Teve um museu que eu queria conhecer, mas acabei não indo que é o Museu dos Instrumentos Musicais.  O prédio por si só é uma graça: todo em estilo Art Noveau, tem a maior coleção de instrumentos do mundo. E a vista daquela região é muito bonita. Falando em Art Noveau, tem uma área na região leste em que todos os prédios têm suas fachadas nesse estilo. Um mais fofo que o outro, principalmente próximo a Ambiorix Square.

Museu dos Instrumentos Musicais
Praças e parques também são ponto forte na cidade. São enormes, lindos e num sábado de sol ficam lotados. Entre eles, indico o Leopold Park – que era um zoológico até 1876, quando todos os animais morreram; Parc Du Cinquantenaire, que é gigante e no dia em que passei por lá tava rolando uma maratona. Outro clássico é o Royal Park, onde também está o Palácio Real.

Parc Du Cinquantenaire cheio de maratonistas

Outro lugar pra visitar, que eu não fui por falta de tempo, mas também por medinho de ser caça-níquel é o museu das histórias em quadrinhos. O que me faz lembrar que a Bélgica é também berço de um dos personagens favoritos da minha pré-adolescência, o TinTin e seu fiel escudeiro Milu. Próximo ao Manneken Pis, tem uma loja temática dele que é de cair o os butiá do bolso (e também os euros, porque tudo lá é mega caro). Mas dá vontade de levar tudo. 

Tintin e Milu :D
Voltando às artes, o Royal Museum of Fine Arts me fez entender finalmente aquelas cenas que a gente vê em filmes, das pessoas sentadas em frente às telas, observando. Sempre achei isso coisa de pseudo-cult que acha que entende alguma coisa de arte. Mas depois de me deparar com uma obra do Gustave Wappers, eu vi que podia ficar ali por muito tempo, admirando todos os detalhes (e isso soou muito pseudo-cult).
Royal Museum bem lindão

O quadro: Episode of the September Days 1830 (on the Grand Place of Brussels)

Por último, mas importante, visitamos um lugar que eu fiquei apaixonada, a Cinematek. Eles têm um baita arquivo sobre a história do cinema mundial, além de um espaço/museu contando e demonstrando a evolução do cinema, com direito à cinematógrafo e tudo. Sério, parece imbecil, mas é emocionante ver de verdade as coisas que eu tanto mencionei na minha monografia. Aquele lugar seria o sonho de realização físico do meu trabalho final de curso e naquele momento cheguei a sentir saudades de tudo.. vontadezinha de estudar tudo de novo... Ok, passou a vontade.

Se não bastasse todo o acervo, por meros 3 euros tu assiste a uma sessão de cinema à moda antiga, para poucas pessoas, em cadeiras mega confortáveis, algum clássico do cinema mudo, ao som de... um piano ao vivo. Sim!!! Durante pouco mais de uma hora, a pianista faz toda a trilha sonora na escuridão, sem usar nenhuma partitura, seguindo o ritmo do filme. O filme que assisti era The Son of the Sheik, de 1926 com o Rudolph Valentino e fazia parte do ciclo “Latin Lovers” (uuui). Demais, demais, demais.

Às 10 da noite ainda deu tempo de apreciarmos o pôr do sol, fechando com chave de ouro a passagem por Bruxelas. Mas gente, tem muito mais! Não falei do Parlamento Europeu, do Palais de Justice e de tantas outras coisas pra ver. Sabe, não sei se é porque ouvi tanta gente falando mal de Bruxelas que acabei criando esse desafio, de tentar fazer ela o mais interessante possível. Mas pelo menos pra mim, funcionou. E espero que esse post (apesar de gigante) funcione pra vocês também.
  

sábado, 26 de maio de 2012

Eurotripando por aí (3) - Bruges

 

Seguindo de busão para Bruxelas, tive uma grande decepção musical ouvindo a rádio local. Eu sempre soube que muito do que é produzido no Brasil é cópia... mas descobrir que o original de Vou de Táxi (que pra mim, sempre foi da Angélica) é em francês e interpretado pela Vanessa Paradis (Sra. Johnny Depp) foi muito pra mim. Uma parte da minha infância desmoronou ali. Mas ok... eu supero.

 

Anyway.... dormi em Bruxelas, mas o sábado era dedicado à cidade de Bruges, que fica uma hora de trem ao norte e é capital da região de Flandres, onde falam flamengo e francês. E aqui, mais uma dica pra quem sai de Bruxelas: o bilhete ida e volta pra Bruges custa € 27. Mas se você tem menos de 26 anos pode comprar online o ticket Go Pass 1, que é nominal -  também ida e volta -  e sai por 13 euricos. E na hora de comprar, não se preocupe com qual estação de Bruxelas você vai sair ou parar, porque o trem passa por todas as três (dica de ouro da Laurinha).

Sol, casinhas, barquinhos :)
Bruges, a chamada Veneza do Norte e nomeada capital cultural europeia em 2002, é um encanto só. A cidade é toda linda, com canais, carruagens, todas as casas antigas, torres e catedrais... é uma Gramado belga, eu diria (talvez melhorada...). Mas confesso pra vocês que não foi tudo aquilo pra mim. E sei os motivos: sábado + sol + feriadão em alguns países = MUITO turista. Sim, eu sei, a cidade é turística, eu sou turista, mas depois dessas viagens que eu fiz, eu criei uma raiva dessa raça e que vou explicar melhor no post sobre Paris. 

De qualquer forma, Bruges é pequena e linda. Tem em torno de 20 mil habitantes, ou seja: mais turista que habitante. Na verdade, acho que quem mora lá se esconde nos fins de semana. Muita gente ouviu falar na cidade por causa do filme do Colin Farrell In Bruges, que eu confesso, não assisti. Mas ouvi dizer que o pessoal odeia quando comentam ou acham que a cidade foi construída por causa do filme. E não pensem que ela é toda medievalzinha assim por acaso ou apenas pelos extremos cuidados com a história da cidade: em 1870 Bruges tava meio mal das pernas e resolveu investir em turismo e na modinha medieval que tinha na época. Contratou um arquiteto chamado Louis Delascenserie que deu uma cara nova-velha, reformando o que era antigo e criando novas coisas com uma carinha gótica. Então muito do que se vê não é tão velho quanto parece ser. Mesmo assim, seu centro histórico é considerado patrimônio histórico da UNESCO.

Enfim, como qualquer cidade turística, tudo é motivo pra ganhar dinheiro. Então a maioria das coisas é paga, mesmo que seja barato. Lembrando que na Bélgica muitas das atrações têm desconto para menores de 26 anos.  

Se tem que pagar mesmo... onde ir?

Turista na frente da Belfry de Bruges
Um dos lugares que sugiro é o Belfry de Bruges, onde se tem uma vista de 360° da cidade (atrapalhada pela cerquinha de futebol pra nenhum maluco se atirar de lá). Pra isso, é preciso subir uma escadaria caracol de 366 degraus. Ao longo do trajeto, se conhece um pouco da história e da importância que o campanário teve pra cidade. A torre já não está tão reta quanto deveria, já curvou 1 metro e meio para um dos lados. Se continuar, teremos uma nova Pisa na Europa. € 8 para o público ou € 4 para menores de 26.

Markt apinhado de turistas
A Belfry fica no Markt, uma grande praça cheia de prédios históricos, bares, restaurantes e chocolaterias, óbvio. Não sei se vocês sabem, mas há uma rivalidade entre suíços e belgas pra ver quem tem o melhor chocolate. Para tirar essa dúvida, resolvi provar um dos chocolates de Bruges, que é considerada uma das capitais do chocolate, mesmo com todas as recomendações de guias dizendo que chocolate belga bom se compra no mercado por um preço acessível. Os de chocolaterias são caros, destinados pra turistas ou parentes doentes. Mas, já que eu tava no inferno... fui até uma lojinha beeeem longe do centrinho, a Spegelare. Só pelo cheiro, dá vontade de comer tudo. Melhor aroma de todos os tempos (ponto para os belgas). Na hora da escolha, eu costumo considerar sempre custo benefício (bom e barato). Segundo a proprietária da loja, há alguns anos a prefeitura quer pavimentar as ruas de Bruges. Os moradores querem manter as pedrinhas, pra manter o aspecto antigo. Como forma de “protesto”, essa senhora criou os chocolates com marshmellows, representando as ruas com pedrinhas. Gostei da história (e do preço), resolvi levar. Posso dizer que é muito bom. Mas chocolate caseiro de Gramado dá de 10 (bairrismo mode: on)

Vitrines tentadoras
Saindo da guloseima e indo pra bebedeira, um passeio muito bacana é o feito na cervejaria De Haalve Maan. Negócio de família, o lugar é o único do segmento ainda em funcionamento em Bruges. Durante o tour, se conhece todo o processo de fabricação da cerveja, os tipos e graduações alcoólicas e no final, claro, aquela taça bem gelada. E o bacana é que a cerveja que tu prova só pode ser tomada ali no local porque ela não é filtrada, já que é tirada na hora e não precisa ser engarrafada, conservada e bla bla bla. Tem tours em inglês, francês e dutch. Preço único de € 6,50. 

Morram de sede, meros mortais
Ali conheci duas colombianas muito legais: a Andrea, que estuda na Espanha e a Natalia, que estuda em Bruxelas. As duas foram minhas companheiras de viagem até o fim da noite, quando fomos em um festival de jazz em Bruxelas. E aí reforço a teoria de que ninguém faz amigos bebendo leite... em compensação cerveja...

Eu, Natalia e Andrea super se divertindo em Bruges
Outros lugares que passei, mas não entrei: Church of Our Lady, onde há uma das únicas esculturas de Michelângelo fora da Itália; Beguinage, um lugarzinho calmo, com várias casinhas onde algumas freiras (chamadas beguines) viviam; A Holy Blood Chapel, onde alguns acreditam estar guardado um pouco do sangue de Jesus, encontrado em uma cruzada do século 12 (ah vá); Passeios de barco, porque né... sendo Veneza do Norte, certo que tem esses barquinhos; O Sint-Janshospitaal, ou Museu do Hospital, que dá um panorama de como um hospital funcionava há uns 300 anos atrás.

Vista lá da Belfry. Cidade gatinha, né não?
Enfim... a cidade é cheia de capelas, museus, restaurantes, lojinhas e atrações locais bem escondidas dos turistas. Em um dia não dá pra explorar tudo, óbvio. Mas dá pra se divertir bastante e se encantar com a beleza do lugar.