terça-feira, 13 de março de 2012

As primeiras vezes

Quem nunca ouviu que pra tudo nessa vida tem uma primeira vez? Pois então, primeira viagem pra Europa, primeira vez ficando tanto tempo longe de todo mundo, primeiro jet lag, primeiras impressões....

No domingo mesmo conheci o primeiro pub. The Quay's. Todo lindo, decorado como uma biblioteca antiga, e com uma banda ótima que tocou Men at Work, Pink Floyd, Florence and the Machine... e foi lá que tomei minha primeira pint de Guiness. Sim, achei melhor que no Brasil. Não me perguntem se é a água, o gosto ou o fato de estar na Irlanda que deixou ela melhor. Mas curti.

Na segunda-feira, primeiro dia de aula. Óbvio que cheguei atrasada. Mas tudo certo, fiz a entrevista, fiquei no Upper intermediate, por enquanto.
Rapaz, tem gente de tudo que é lugar no mundo. Claro que brasileiro não falta. Só na minha turma, somos em 5. Mas durante as aulas a gente só fala em inglês. Há também pessoal da Suíça, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Itália, Argentina... boa parte tri a fim de conversar, de conhecer pessoas novas e principalmente: praticar o inglês.

Também na segunda-feira, primeiro city tour. Na verdade, eu já conhecia todos os lugares, mas é bacana ouvir um pouco da história de cada um. Em breve eu coloco aqui, depois que eu fizer as fotos de cada um deles.

Em dois dias, muitos primeiros. E só de pensar no que tem vindo por aí, já começo a achar que não vai dar tempo de fazer tudo. E sim, não é a primeira vez que penso nisso.

Ps: todos os brasileiros achavam que eu não era brasileira ¬¬. E já me pediram informações na rua pelo menos umas 5 vezes. Acho que estou bem ambientada.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Galway is so lovely! - Primeiras impressões

Nunca fui de acreditar nesse negócio de amor à primeira vista. Como tu vai saber se tu gosta de algo ou alguém sem nem ao menos conhecer? Impossível... Mas devo admitir que meu pensamento vem mudando.

Quando procurei informações sobre Galway pela primeira vez e vi as fotos do lugar, deu um apertinho no coração que dizia: é essa! E assim escolhi, mesmo sendo uma cidade pequena, três horas distante de Dublin e poucos brasileiros.

Ao chegar aqui, depois de um dia e meio de viagem, já cometi a primeira gafe óbvia: fui entrando do lado errado do taxi. O motorista só me olhou e disse algo do tipo: "Acho que seria melhor eu dirigir, não?" Começamos bem. O Pat é motorista de taxi em Galway há alguns anos, veio de uma cidade há uns 20 km de distância - que eu confesso, não lembro o nome. Foi muito simpático e prestativo.

Facilmente cheguei na minha casa, apesar de não ser aquela que o google maps indica. É na verdade bem mais bonitinha - minha fé no Google foi abalada. Mary é uma senhora muito simpática, que me recebeu super bem, mesmo não sabendo que eu estava pra chegar. Seu sobrinho Sean, a visita todos os sábados e estava com ela. Conversamos bastante e na janta, ela me serviu uns sanduba maravilhoso - sem dúvida um dos melhores que eu já comi - e uma sopa de abóbora, também ótima (o Edú iria gostar muito!) Meu quarto é super pequeno, mas bem aconchegante.

A cor de tijolo é onde estou morando :)

No domingo, depois de umas 12 horas de sono, fui conhecer Galway. Mary me levou a alguns dos principais locais e depois me largou na cidade.  Sério, em questão de 5 minutos de caminhada, eu teria mais de 15 mil assuntos pra postar. É muita informação de uma vez só. A cada passo uma novidade, uma lembrança, uma empolgação. Eu dava pulinhos e risadas de alegria. Era fácil ver que eu era uma estrangeira com minhas exclamações de "baaaah, olha isso!". Na boa. Lembrei de muita gente aqui: seja nas camisetas lindas de rúgbi pro meu irmão, seja nas lojas baratésimas e lindas pra Gabe, seja nas flores Daffoldhil pro Edúbis (ñ sei como escreve), seja nos carros com nomes diferentes pro Gabri... enfim... uma infinidade de coisas pra todo mundo e pra mim (já achei uma Tin Whistle por €12 com manual e cd. Preciosa vai ter uma companheira em breve). Teria gasto todo meu dinheiro hoje, se pudesse.

Além disso, tudo é lindo. Tudo é fofo. Os músicos e pubs estão por todos os lados: na Eyre Square, na Quay Street, na Shop Street... por tudo! Confesso que meu senso de direção não tava preparado para as ruas de Galway. Eu não sabia onde eu tava e nem pra onde eu ia. Eu só caminhava e deixava a cidade me guiar. Tudo é perto, tudo é compacto, e o mais interessante: tem tudo que se possa imaginar. É uma diversidade de coisas e informações que fazem a gente pirar.

Estranhamente, tudo parece natural. Eu acho que esses amores à primeira vista fazem isso com a gente: mesmo se sentindo confusa, perdida, eles te fazem sentir como se tudo fosse lindo. Como se tudo isso fosse... natural.  :)
Vista do ônibus em Dublin. Ok, ñ tem verde na foto. mas tá valendo.
Cinza e verde. Essas eram as cores que me vinham na cabeça quando eu pensava na Irlanda. Talvez por ter visto em fotos, os verdes campos e os castelos... E foi isso que eu vi de fato. Obviamente o céu de Dublin estava nublado, as árvores estavam todas secas. A grama tem um verde que eu não sei explicar, mas é a tonalidade mais linda da cor. Em sobretom, o cinza dos muros de pedra. De vez em quando, alguma cor sobressai, dando o contraste e deixando o cenário mais alegre, como alguns prédios e as flores amarelas típicas.

Meio poético, mas Dublin me despertou isso. Só de olhar pela janela do avião que estávamos chegando na Irlanda, deu um nó no estômago. Foi quando caiu a ficha do que eu tava fazendo. Uma mistura de alegria, com medo, com "o que diabos eu tô fazendo aqui???"

Ainda sigo nesse estado, mas de uma forma muito estranha, como se tudo isso fosse um sonho. Deve ser o jet lag, não sei...

O que eu sei é que em dois dias, tenho histórias pra uma semana. Um dos objetivos da viagem já está sendo alcançado. E vai ganhando mais cores, a cada dia. Incluindo verde e cinza.

Fora do contexto: Quando eu vi um caminhão de Guiness, eu enlouqueci querendo bater foto. Mas não deu 5 minutos apareceu outro, e outro, e outro... aí perdeu a graça :P

domingo, 11 de março de 2012

Cheguei, to viva

Teclado em que eu ainda nao consegui achar os acentos, mas ok.
Soh pra avisar que cheguei bem, to viva, ta tudo super certo!
Onde estou morando nao tem internet, portanto vai ficar um pouco dificil de postar tudo aqui. mas assim que possivel, conto um pouco de tudo.

Muita, mas muita coisa pra dois dias. Tudo super certo!!

Um beijo pra todos!

A praga brasileira

A gente sabe que brasileiro está espalhado pelo mundo. Mas quando a gente fala de brasileiros na Irlanda... é pior ainda. Inclusive, há uma cidade chamada Gort onde quase toda a população é de brasileiros. Pra se ter uma ideia: já em Porto Alegre encontrei uma menina, a Michaela, que ia pegar o mesmo voo que eu em São Paulo. Ela já tinha combinado com outros três meninos do Espírto Santo de encontrá-los no check in. Eles, por sua vez, encontaram o Antonio, de Goiânia que também estava rumo à Dublin. Não deu outra: em questão de tempos já estávamos amigos, jogando Uno na sala de embarque.

O voo foi tranquilo, com figuras bem exóticas, inclusive com Mr. Heckels, de Friends. Como o pessoal teria o vôo mais cedo que o meu em Amsterdan, eles saíram correndo e eu fiquei pra trás. Confesso que foi uma sensação ótima estar sozinha do aeroporto de Amsterdan e encontrar tudo tranquilamente, sem nem ao menos pedir ajuda. Foi aí que eu pensei: preciso ficar mais sozinha e fugir um pouco dos brasileiros. Se aparecer algum, vou me fazer de louca. "I don't speak portuguese". Mas era questão de minutos, um dos meninos encontrou brasileiras que iam no mesmo voo que eu. Aí não teve jeito. mas melhor assim. Aproveito agora essa companhia, porque depois não sei como vai ser.

Mas é um negócio muito interessante. Não sei exatamente se é por sermos brasileiros, ou se era porque todos estavam com um objetivo em comum, com ansiedades, medos, expectativas. O que acontece de fato é que meros desconhecidos, por algumas horas, se tornam amigos de infância.

Ps: não tenho internet na minha homestay!! então vou ter que postar tudo de uma vez só. :/

quinta-feira, 8 de março de 2012

Wish me luck!

Foto: Getty Images - April Bimer

"Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as ideias limitadas; só por isso, muitas pessoas precisam muito viajar. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas vegetando num cantinho do mundo a vida inteira."


Mark Twain - Dicas Úteis para uma Vida Fútil -
um manual para a maldita raça humana (Thanks, Fábio Borges!)



E aí meu povo!

Tá chegando a hora! O friozinho na barriga custou a aparecer, mas agora tá com tudo. Amanhã estou embarcando rumo à Galway, Irlanda. Nesses próximos meses vocês poderão acompanhar por aqui um pouquinho dessa viagem. Se quiserem, dá pra bisbilhotar nos posts anteriores a preparação pra essa pequena aventura.

Desde o momento em que fechei a viagem até agora, ouvi de tudo. Muitos acham que eu sou corajosa, outros acham que tava mais do que na hora de fazer isso, ou até velha demais.... Mas o mais bacana é ver como tem pessoas que torcem pela gente, que apoiam, que incentivam, (que vão em todas as mil despedidas, hehehe). Afinal de contas, largar tudo pra correr atrás de um sonho, não é tão simples. Dá medo. Mas é um medo bom de sentir. E vamo que vamo! Me desejem sorte!
 
Um beijo pra quem fica! ♥

Há alguns anos eu não sabia, mas já sabia pra onde eu ia!

quarta-feira, 7 de março de 2012

A vida em uma mala.

E é essa semana, galera! Depois de muitas despedidas, agora é só enfiar tudo na mala e bora pegar o primeiro avião com destino à felicidade, já diriam Leandro & Leonardo.

Opa... enfiar tudo na mala? Como resumir uma vida em uma mísera mala de até 32kg? Ok, meu limite é duas malas. Mas como estarei sozinha, além do avião, terei ainda que encarar 3 horas em um ônibus. Quanto menos tralhas pra carregar, melhor. Difícil fazer isso sendo a princesa da quinquilharia, perdendo o posto de rainha apenas para minha vó, que guarda até hoje os primeiros brindes da Avon.
A segunda mala vai ficar pra volta, pra trazer as novidades de lá.


Enfim, escolhidas as roupas, acessórios e demais objetos (e sim, isso inclui a minha flauta), hora de colocar à prova o espaço da mala novinha em folha. Foram uma... duas.. três.... quatro tentativas. (ufa!) Finalmente descobri a utilidade de ter jogado Tetris na minha infância. Serão 29,6kg de pura ginástica.

Seguem aí algumas dicas que me ajudaram a fechar a mala:

1. Pesquisar bem sobre o clima da cidade: Galway, como toda a Irlanda, é uma cidade úmida, com bastante vento. Chegarei lá no fim do inverno. Portanto, estou investindo em poucas peças para o frio e muitas que podem ser usadas no inverno e verão, como shorts e saias. O que nos leva ao próximo item.

2. Peças coringa e que não amassem: Sabe aquela calça azul de linho maravilhosa que você ganhou da sua mãe pra 'ahazar' no natal? Pois é, esquece. O negócio é levar peças que combinem com tudo ou quase tudo. Calças jeans, baby looks, casacos com cores neutras e claro: tecidos que dificilmente amassem.

3. Space bags. Não é feitiçaria, é tecnologia! A space bag, que tem o nome genérico de "saco organizador à vácuo", ajudou na hora dos casacões, lençois e toalhas. Pra quem não conhece, funciona assim: depois de vedar bem a roupa dentro do saco com zip loc, se usa um aspirador para tirar o ar, deixando o produto embalado a vácuo. Diminui bastante o volume ocupado.
Comprei o Vac Bag médio (45x65cm), da Ordene. 10 reais, na Dispapel aqui em Caxias.



4. Organização: Ao invés de colocar uma peça sobre a outra ou simplesmetne amassar tudo, uma boa dica é fazer rolinhos com as roupas. Também ajudou a diminuir o volume das peças. Calçados embaixo ou nos cantos da mala, pra proteger os objetos mais sensíveis. Aproveite cada canto! Sobrou um espacinho? Enfia uma meia, um cinto...

5. Pratique a arte do desapego: isso é para poucos. Saber que se vai ficar longe 7 meses daquela roupa ou daquele livro, dói o coração. O negócio é levar uma coisa de cada, embalagens pequenas, coisas menores. O que faltar, se compra lá ou se adapta ao novo. Lembrando que sempre que bagagem de mão não pode levar embalagens com líquido com mais de 100ml. Então, pra não se incomodar, coloque na bagagem shampoos, cremes, etc.